O jogo que não podíamos perder

Adrián Lopez não saiu do banco contra o Braga, para o campeonato. Na Ucrânia, jogou os últimos 12 minutos do jogo. Em Alvalade, não saiu do banco. No Porto-Boavista, o jogo do dilúvio, jogou os últimos 8 minutos. Contra o Bate Borisov, foi titular.
Hoje, um mês depois da goleada que nos deixou a todos felizes, Adrián Lopez voltou a ser titular, num jogo de elevada dificuldade, com caráter de “final”, como disse Lopetegui na antevisão. Não se trata aqui de criticar o avançado espanhol – que, por acaso, tarda em justificar o valor que se diz que pagámos por ele – mas de trazer, mais uma vez, à discussão as opções do treinador quando tem de construir um onze titular. Aconteceu com Adrián o que tinha acontecido com Quaresma em Alvalade. Após um período de apagamento, o treinador põe-no a jogar num jogo de risco elevado.
Podem continuar a argumentar com a enorme qualidade do plantel, mas eu mantenho a ideia de que devem jogar sempre os melhores nos grandes jogos. E essa necessidade aumenta exponencialmente quando o adversário se chama Sporting e passa as semanas anteriores a tratar-nos abaixo de cão na comunicação social. Este era um jogo que tínhamos de ganhar! Porque não era só a passagem à próxima eliminatória que estava em causa. Era a nossa honra e o nosso orgulho. Saímos da Taça e acabámos o jogo a levar “olés”.
Lopetegui tem de perceber que não pode rodar o plantel num jogo destes. Ele tem de perceber que Brahimi, Martins Indi, Alex Sandro, Tello têm de jogar estes jogos de início. E tem de perceber que o Casemiro já não dá garantias há muitos jogos e que Rúben Neves está com a corda toda para ocupar a posição 6. Mas não percebe, nem quer perceber. Para ele, somos uma espécie de Barcelona que começa a trocar a bola a partir do guarda-redes, nas calmas, e vai por ali fora até ao golo. Os nossos adversários já toparam a cena e agora pressionam-nos com 5 ou 6 homens logo no nosso meio-campo, provocando o nosso erro. E o erro acontece, cada vez com mais frequência, porque cada vez é mais previsível a forma como saímos a jogar.
Eu não sei se Lopetegui vai manter este espírito de rotatividade até ao fim, se o vai fazer por teimosia, ou por absoluta crença de que é o melhor para a equipa. Uma coisa é certa, isto não está a dar resultado, e o jogo de hoje marca o final de uma fase na relação dos adeptos com a equipa. A partir de agora, a tolerância será zero.
Anúncios

10 thoughts on “O jogo que não podíamos perder

  1. Infelizmente, isto já se via acontecer há muito e Lopetegui, contra toda a evidência, resolveu insistir. Estão mais do que provadas as suas limitações na poda. Conhecia-se o valor teórico do espanhol, sobretudo explanado no seu blog pessoal sobre bola. De prática, em clubes, muito pouco. Faz lembrar certo ministro das finanças e suas folhas Excel, emitindo eternas, patuscas, falhadas previsões, sempre alheadas da realidade.

    Ora o homem não assentou ainda um onze, estando o FCP em experiências já pertinho de Novembro, mas decide rodar a equipa. Ou seja, do que é frágil e em construção, parte voluntariamente para o que é caótico e inexistente. Porque teoricamente, há que fazer gestão das hostes. Na prática, depende das circunstâncias do plantel e, nas nossas, tem dado cócó.

    O senhor gosta muito dos princípios do Barcelona. Eu também acho que são giros, mas isto é o FCP 2014/2015. Muitos portistas olham para o plantel e vão dizendo que é necessário dar-lhe tempo, como quem traz um D. Sebastião no bolso. Um dos segredos do sucesso, diz-me a vóvó na altura da sopa, é conhecer-se as próprias limitações, o lugar de cada um. E o equívoco fundamental do FCP está aí mesmo: tem um asno sentado no lugar de um treinador.

    Gostar

  2. É mito injusto vir falar de um trabalho de um treinador quando não se conhece esse trabalho durante a semana. Depois, ele tem jogadores que não vão às seleções e deve promover esses jogadores; exatamente para estes jogos em que os outros chegam cansados e aumenta o perigo de lesões… Se em vez de estar só o Quintero em dúvida para o jogo da champions estivesse o Brahimi, o Indi e o Quintero? ficavam todos satisfeitos? e, se jogando com a corda toda tivesse o zbording passado na mesma, e ainda tivéssemos gente lesionada? – é, falar sobre o acontecido é sempre muito fácil! … Claro que o treinador não é um top, e não tem experiência em clubes grandes, nem a defender a “honra dos adeptos”, mas, o que fez na champions até agora demonstra que é – pelo menos – um gajo que tem pedalada para outras faenas… e o Marco Silva terá?

    Gostar

  3. Jogamos mal e porcamente, demos 2 prendas de natal antecipadas, falhamos (mais) um penalty e perdemos o jogo…

    Mesmo jogando mal e porcamente, mesmo oferecendo 2 gols e falhando um penalty, tivemos chances mais que suficientes para empatar e até virar o resultado…

    E tivemos no 1º tempo um penalty não assinalado sobre Herrera aos 24', um fora-de-jogo mal tirado ao Adrian aos 27', quando ficou isolado na cara do franguicio… e uma mão de maurício dentro da pequena área no 2º tempo após cobrança de livre de Quintero…

    Se estes 3 lances tivessem sido em prejuizo do visitante, e estes tivessem perdido o jogo, acham que hoje nas 1ªs páginas da pasquinada lisboense estava escrito gigantes ou super dragão???

    Claro que não, pelo menos um dos 3 lances citados acima estaria estampado nas capas colocando culpas na arbitragem, que devia ter marcado penalty e não marcou…ou a foto do bandeirinha que assinalou mal o offside…ou do outro bandeirinha que devia ter visto a mão dentro da pequena área!!!

    E a esta hora, já haveriam mais de 200 comunicados condenando a arbitragem, a dizer que foram super mal recebidos, que foram agredidos, insultados, enfim…

    Mas como o visitante venceu, não se passa nada, ninguém dá destaque a lances polemicos…

    Bem bom que na bluegosfera não me lembro de ninguém a deitar culpas na arbitragem, mas sim a reconhecer culpas próprias…

    Para memória futura, quando o FCP vencer um jogo grande onde aconteçam lances parecidos com estes 3 lances citados acima, quero ver se vão escrever gigantes, ou super…

    Gostar

  4. Subscrevo em absoluto. Um jogo que não podíamos perder. E custa ver uma equipa sem mística. Ninguém se irrita quando as coisas estão mal. Basta olhar para o banco e ver o Quaresma e é fácil imaginá-lo a pensar que lhe dá um certo gozo ver as coisas a correrem mal… Um jogo duro de engolir e com o palhaço do Bruninho a sair a rir-se…

    Gostar

  5. Para o jornalista do porto canal a culpa da derrota foi dos adeptos… por isso já sabem no próximo jogo dragão às moscas porque assim ganhamos de certeza! Estes Gajos pensam que nos comem por lorpas. Por mim o treinador ia já embora, na ultima época também estávamos sempre à espera da retoma e deu no que deu!

    Gostar

  6. Essa desculpa serviria para este jogo, Reine Margot. E serve para explicar uma eventual rotatividade. Não explica adaptações tácticas, como Oliver na linha, o meio campo sem criativos, o desaparecimento de jogo interior no FCP, ou dificuldade em manter a posse de bola.

    E também não explica o que aconteceu noutros jogos, como a vergonha inenarrável frente ao Boavista.

    Já agora, talvez a Reine Margot nos possa elucidar sobre qual é o 11 titular do FCP em 2014/2015, já que estamos praticamente em Novembro e ainda não percebi qual é…

    Igualmente, explique-nos porque se insiste num sistema que já deu provas de não evoluir, pelo contrário, a equipa está cada vez mais desconcentrada? Só um imbecil repete a mesma experiência muitas vezes, esperando alguma vez obter resultados diferentes. Einstein dixit. A equipa não tem perfil para um jogo de progressão em posse. PONTO. E mesmo que tivesse, Lopetegui contraria tudo ao meter sempre um meio-campo de carregadores de piano, concentrando a criatividade nas alas. E como nunca corre bem a teimosia do espanhol, em todas as partidas damos 45 minutos de avanço e acabamos por mudar de táctica e de jogadores ao intervalo. Sinceramente, não sei que raio de possíveis melhorias esperam certos portistas desta ordem de coisas? Um milagre das Antas? Ou muda tudo radicalmente, ou isto só pode ir num sentido: piorar.

    Sobre Lopetegui, as minhas dúvidas sobre a sua adequabilidade foram expressas no momento da sua contratação, e também não emprenhei pelos ouvidos com exibições de pré-época. Sempre me pareceu que a equipa tinha dificuldades em armar jogo ofensivo e que a defesa estava muito exposta a erros na primeira fase de construção. As coisas só se agudizaram desde então.

    Gostar

  7. Esta derrota foi demasiado dolorosa. O “somos porto” é uma farsola. Quando muito há um “fomos porto e a ver se isso ainda dá frutos”. Este jogo, contra este sporting, contra este presidente que levianamente e constantemente lança os mais soezes ataques contra o nosso clube e o nosso presidente, mereciam da parte dos nossos jogadores uma atitude de total empenho no jogo, de guerreiros que preferem morrer a claudicar. Os factos mostram que o SCP teve o dobro das faltas do FCP, logo daí podemos deduzir quem teve a atitude guerreira, quem de facto pressionou e meteu o que tinha e não tinha no jogo.O Porto que eu aprendi a amar foi o de jogadores como João Pinto, André, Paulinho Santos, que jogavam com os rivais de Lisboa com os olhos raiados a sangue e mostravam os dentes, os punhos e os cotovelos quando era preciso. Que no fim dos jogos, perdendo ou ganhando, estavam exauridos com o esforço. Que quando as coisas não corriam bem, sofriam, perdiam o controlo emocional, porque não havia outra coisa naquelas cabeças que não ganhar, e o cliché da bola do “dignificar a camisola” era um lema de vida, um mantra repetido e interiorizado até à exaustão. Foi essa gente que construíu a mística do nosso clube, hoje não há ninguém que o faça.
    E não há porquê? Depois do plantel de sonho do Vilas Boas, (juntar numa mesma galáxia, jogadores como Falcão, Hulk e James Rodriguez é algo irrepetível), tivemos um competentíssimo e ostracizado pela massa adepta Vitor Pereira que com muito custo e demérito do Mestre Jesus de Pascal Penars, lá conseguiu ganhar dois campeonatos, com um futebol sem chama mas eficaz e com demérito do SLB, para além de um inexistente sporting. O Benfica foi-se reforçando muito e bem, ao Fonseca, deram-lhe Licás e Josués,e as nossas mais valias foram sendo vendidas sem ninguém que viesse com qualidade sequer similar. Resultado: humilhação atrás de humilhação, ganhamos uma super taça e cometemos a proeza de ficar atrás do SCP no campeonato.O Pinto da Costa reagiu, foi buscar um treinador espanhol com créditos firmados no futebol de formação e pôs o Rei Midas Mendes a burilar o nosso plantel. Vieram internacionais, jogadores emprestados do Barcelona e do Real Madrid, tudo malta com selo de qualidade e capacidade de evolução. Problema: Não acreditando que o Lopetegui é mentecapto, foi imposta a rotatividade para “valorizar” os activos e o pessoal andar satisfeito. Tenho fé que alguém lhe diga para para com isso, visto os resultados serem o que são. Uma vitória, sofrida, nos últimos 5 jogos. Não há, nem houve nenhuma equipa de topo que tivesse ganho títulos a rodar 5 e 6 jogadores por jogo e a fazer experimentalismos tácticos. O Lopetegui é para aguentar até ao limite do suportável. Com a quantidade de jogadores espanhóis que estão no Porto por causa dele, se o homem sai, o clube desmorona-se e nem à UEFA vai na próxima época. Mas as expectativas são sombrias, e vejamos porquê….Esta política de formação do plantel teve como resultado termos uma cambada de putos que amuam se não forem titulares e que têm interiorizada a ideia que o Porto existe para lhes possibilitar ascender na carreira. Perdeu-se o equilíbrio. É óbvio que face ao contexto actual do futebol, têm que existir jogadores assim, mas o plantel deve manter alguma veterania. alguns “homens da casa” que transmitam os valores do clube. Quando um dos nossos capitães, o Maicon, com alguns anos de casa, chega a uma conferência de imprensa, de forma totalmente displicente a dizer que foi mau perderem-se 3 pontos, no fim do jogo com o SCP, está tudo dito. Ao Maicon, ao Oliver, ao Torres, ao Quintero, tanto lhes faz jogar no Porto, na Turquia ou na Grécia. Desde que tenham jogos da champions para se mostrarem e o pilim bata na conta todos os meses, tá-se.

    Gostar

  8. fodasse, o post do ano Guarda!
    rbn, brilhante.
    Marco Teixeira, onde é que andavas tu até agora? comentario fenomenal, concordo em absoluto com tudo o que disseste. Realmente o espírito dos jogadores é tipo “tásse bem”, tasse bem o caralho! reparei logo no início do jogo na cara do Marcano depois de um lance disputado e do olhar cabisbaixo entre os ombros, tipo desmoralizado, não entendo, pareceu-me lembrar o Guarin contra o Sporting na época Vilas-Boas, em Alvalade o Guarin era um fantasma do que iria-se tornar depois daquele golo fenomenal contra o Marítimo, entrou também cabisbaixo, de olhar para o chão, acredito que o Marcano é um grande defesa assim como Guarin deu a volta, mas agora entrarem todos assim com esse espírito da treta é que não, um ou outro ainda se pode deixar passar agora a equipa toda a entrar no jogo como se fosse a última coisa que quisessem fazer naquele momento, fodasse, onde é que isto vai para André Pinto? só espero que as tuas previsões super pessimistas não se tornem realidade, já agora, soluções? há?

    Gostar

  9. E em relação ao jogo de ontem, vimos o resultado da falta de estabilidade na nossa equipa: uma 1ª parte de boa qualidade e uma 2ª fraquinha, contra o penúltimo classificado da liga espanhola, que chegou a dominar com contornos de escândalo. Valverde percebeu que o nosso meio-campo era inoperante defensivamente, e Lopetegui foi obrigado a reagir, tirando Quintero para entrar Ruben Neves e mais tarde o inenarrável Casemiro. Ficámos mais equilibrados no miolo, mas em capacidade atacante foi um disparate, acabando Quaresma por resolver sozinho o que parecia não ter solução.

    Parece claro que Casemiro não pode ser o nosso 6 titular. Resta Ruben Neves e – já é tradição – não lhe existe alternativa de raíz.

    Também é óbvio que Oliver e Quintero não podem coexistir em campo. Além de que Quintero exige cobertura de qualidade, porque a sua capacidade táctica-defensiva é baixíssima, mas é de longe o único capaz de construir com qualidade excelsa. Um mago, sem “sidekick” no meio campo. Contra equipas com médios de grande capacidade física, estaremos sempre em inferioridade com Quintero em campo.

    Valeu o resultado e siga a marinha, esperando sérias melhorias, sérias mudanças.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s