Do mundial (V)

E pronto, terminou a fase de grupos do mundial  do Brasil. Aqui ficam algumas ideias “a martelo” sobre cada um dos grupos.

Grupo A
Apuram-se Brasil e México, com uma igualdade pontual que só surpreenderá quem não viu as prestações das duas equipas. Mantenho o que disse sobre o escrete: não me entusiasma, é previsível e vive muito dos fogachos de Neymar e Oscar. O México revela a qualidade que já lhe conhecíamos e revela ainda ao mundo um Herrera que tem e dever ser mais bem aproveitado no seu clube.

Grupo B
A Holanda varreu o grupo e é o melhor ataque deste mundial com dez golos em três jogos. Tem em Robben uma das figuras, senão a figura, deste torneio até ao momento. O declínio da Espanha adivinhava-se (em paralelo com o do Barcelona…) e agora é ver como vão os espanhóis fazer a transição de gerações para o europeu de 2016. O Chile confirmou que tem aqui uma geração de ouro, superior, quanto a mim, às de Zamorano ou de Marcelo Salas. Este grupo contou, ainda, com uma das duas piores seleções deste mundial, na minha opinião: a Austrália.

Grupo C
A Colômbia dos nossos meninos e ex-meninos passeou classe neste grupo. Só de imaginar o que seria se Falcao estivesse disponível… Jackson já deixou a sua marca, com dois golos, mas Quintero foi uma desilusão neste último jogo (depois de ter também marcado anteriormente). Alguém que o ensine a jogar simples, que é, afinal, o segredo dos grandes jogadores: pôr o talento ao serviço da simplicidade de processos. A Grécia acabou por ser o menos mau dos outros três.

Grupo D
E no grupo da morte foi o underdog que levou a melhor. Grande e agradável surpresa, esta Costa Rica, que tem em Campbell e Ruiz dois craques de grande nível. Já aqui escrevi que tenho pena de não ver esta transição de gerações da Inglaterra dar melhores resultados, mas quem joga contra um Uruguai que conta com a melhor geração da jogadores deste Francescoli arrisca-se a perder. Em relação à punição a Suarez pela dentada a Chiellini, acho que a Fifa esteve bem. E, já agora, alguém que providencie tratamento psiquiátrico ao avançado uruguaio. Aquilo não é normal. Uma palavra final para a Itália: prometeu contra a Inglaterra, mas depois foi sempre a descer. Falta ali um talento puro e jovem no meio-campo. Pirlo (já) não dá para tudo-

Grupo E
Este foi o grupo em que as duas seleções americanas (centro e sul) ficaram pelo caminho, a exceção que confirmou a regra. A França apresentou-se cheia de vontade de mostrar serviço, com muita juventude e talento para dar e vender. Estou curioso para ver até onde são capazes de ir. A Suiça precisou que o seu craque aparecesse para passar à fase seguinte: Shakiri mostrou por que razão o Bayern o foi buscar.

Grupo F
A Argentina cumpriu a sua obrigação, sem brilho, é certo, mas com Messi a causar danos consideráveis nas defesas adversárias. Para mim é um mistério Rojo ser titular desta seleção. Não há mesmo mais ninguém para jogar ao lado de Garay? Apurou-se ainda a Nigéria, a menos má das três seleções que completavam o grupo. Ainda assim, uma menção honrosa para o Irão de Queirós, que fez um jogão contra os argentinos.

Grupo G
Olhando friamente para as nossas prestações, é fácil concluir que não merecemos passar à fase seguinte. Temos uma seleção envelhecida, com um treinador que preferiu manter a “família” unida (e algumas vacas sagradas a pastar em campo…) do que apostar já numa pequena renovação que poderia ter dado jeito. A Alemanha acaba por ganhar o grupo naturalmente, mas a nossa posição no ranking exigia que tivéssemos dado alguma luta aos alemães. E, já agora, que não ficássemos atrás dos EUA, uma seleção simpática, mas que nem de perto nem de longe tem o valor individual que a nossa tem.

Grupo H
A Bélgica confirmou as expectativas que todos tínhamos: venceu o grupo e mostrou argumentos individuais e coletivos para sonhar com altos voos. Defour apareceu hoje e foi expulso. Obrigado, Steven, já não nos podemos rir do Maxi Caceteira e dos coisinhos. A Argélia chega finalmente aos oitavos de final, algo que era suposto Madjer ter conseguido há 32 anos, mas que um arranjinho entre Alemanha e Áustria impediu… Slimani confirma que é um ponta de lança… daqueles que davam imenso jeito a Portugal.

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