Uma vitória com sabor a coisa nenhuma

Paulo Fonseca
Fazer a primeira parte mais tenebrosa de que tenho memória num jogo da Champions, contra uma equipa banal da terceira divisão europeia do futebol. Conseguir uma sucessão inenarrável de perdas de bola e maus passes. Cometer erros grosseiros de desconcentração na defesa que só não deram em golo por falta de categoria do adversário (e alguma falta de pontaria). Jogar sem pressão, sem agressividade, sem meter o pé, contra um adversário que comeu a relva como se fosse o jogo da sua vida. Conseguir duas jogadas decentes, de golo iminente, em noventa minutos: uma deu golo, a outra foi construída pela genialidade de Quintero. Jogar “para o 1-0” com uma série de atrasos para Helton. Deixar estupefactos comentadores estrangeiros que achavam que não estavam a ver o Porto que granjeou fama por essa Europa fora. Não, Paulo Fonseca, não queremos jogos “inteligentes” e “pragmáticos”. Obrigado.

6 thoughts on “Uma vitória com sabor a coisa nenhuma

  1. Bom, tinha ameaçado num comentário anterior, sinto agora que a minha opinião sobre Paulo Fonseca tem alguma margem de justificação.

    Quando a contratação do actual treinador do FCP foi anunciada, senti imediata apreensão. Num reflexo pavloviano, vieram-me à memória as declarações de Paulo Fonseca antes do jogo para a Taça de Portugal, em que o seu Paços defrontaria o Benfica. Lembram-se? Refrigério para a memória: – Não temos hipóteses de ganhar. Deu a vitória ao adversário antes da partida, diante da imprensa, adeptos, jogadores, etc. O senhor de tão escabrosa atitude e cobardes palavras é o hoje treinador do Futebol Clube do Porto. Esperai mais amenidades deste calibre.

    Nota-se que Paulo Fonseca não tem mãos para um carro desta potência. Os vários sectores jogam completamente desligados. Os níveis de concentração andam pelas ruas da amargura. A equipa torna a jogar muito lentamente, com uma postura tão arrogante quanto displicente. Durante os jogos, o treinador demora muito tempo a reagir.

    Lucho joga sempre quase até ao fim. Josué tem lugar cativo em campo, ainda que se limite a insultar as redondezas em 2 línguas e 3 dialectos diferentes. Jackson possui carta branca para destruir jogada após jogada de ataque. Ontem podia ter isolado Licá para um mais que certo 2-0, mas decidiu manter a peladinha agradável forçando uma patética investida contra 3 defesas. Herrera, que tanto custou a contratar, tem as nalgas quadradas de tanto banco. Ghilas – excelente ponta-de-lança -estará no plantel porque ganhou um concurso de arrotos contra Kléber, que arrotou sempre ao lado.

    Este é o FCP 2013/2014: o de ontem, da 2ª metade contra o Gil Vicente, do Setúbal, do Paços. O paleio da gestão para a Champions revelou-se uma treta, como se esperava.

    Não gostar do trabalho feito até agora por Paulo Fonseca, não é suspirar por Vítor Pereira. É apenas reconhecer que, como equipa, actualmente não valemos um chavelho furado.

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  2. Caro André Pinto, não tenho tantas reservas quanto ao Paulo Fonseca, mas confesso que concordo contigo e considero existirem coisas muito preocupantes a acontecer: o Jackson está a meter nojo (falhas golos inacreditáveis, tenta fintar meio mundo, não passa a bola a ninguém) sem que o Ghilas tenha tido sequer oportunidade de mostrar o vale; o Josué só pode jogar como “10” ou descaído nas alas – jogando mais atrás (como ontem) é uma nulidade porque nem defende nem ataca ; o Lucho tem lugar cativo, mesmo quando já nem corre; o Otamendi está a reincidir numas paragens cerebrais que só se curam com banco (o jogo de ontem era uma boa hipótese de colocar em campo o mexicano magricela e, já agora, usar o Herrera no lugar do Defour). Em suma, são 6 jogos oficiais a vencer mas os últimos 2 foram patéticos.

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  3. Caro Pôncio, acho que a patetice vai além dos dois últimos. Não se pode dizer que a equipa tenha brilhado frente ao Vitória de Setúbal, nem contra o Paços de Ferreira…

    Todos esses problemas que enuncias são passíveis de desestabilizarem o plantel, com reflexo claro na concentração e prestação da equipa. O Jackson, por exemplo, parece que se está a cagar, como se soubesse que jamais será substituído.

    Os inúmeros passes falhados foram-no sobretudo porque a equipa está parada, i. e. o receptor não vai ao encontro da bola, ficando parado. Daí a sensação de lentidão. A bola circula livremente na zona recuada, e quando chega à zona de construção, está tudo parado, ou movimentando-se lentamente. A equipa, desta forma, não cria linhas de passe, não permite a realização de jogadas e fica refém de esporádicas combinações, ou momentos de génio individual. Um momento Quintero. Numa frase, a equipa não sabe jogar sem bola. E isso é trabalho que devia estar feito no Olival.

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