Josué, Licá e mais nove

Isto está-se a tornar um caso sério, com Licá à esquerda, Josué à direita e a equipa a carburar como se eles já lá estivessem há uns anos. Estou-me a deixar conquistar por estes dois jogadores sobre os quais não dei muito na pré-época. Muito bem taticamemte, tratando muito bem a bolinha com os pés (então aquele pé esquerdo do Josué…) e sentindo o clube como adeptos, ainda por cima.
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Jesus igual a Mourinho

Hoje lembrei-me do sprint de José Mourinho em Old Trafford para abraçar Costinha. O ministro tinha deitado abaixo a armada inglesa em mais um passo rumo à futura vitória europeia. Lembrei-me porque vi Jorge Jesus sprintar após o segundo golo, que determinou a vitória sobre o Gil Vicente, nos descontos, à segunda jornada. Os benfiquistas já têm o seu momento épico para mostrar aos netinhos: o treinador a esgaçar 50 metros para pôr a mão na cabeça do Luisão.
No final do jogo, Vieira aproveitou a maré e veio com o discurso previsível: esta equipa é muito unida, esta equipa sabe sofrer, os adeptos também são fantásticos porque não saíram do estádio, os adeptos são os maiores porque acreditaram até ao fim. Só faltou dizer que o Gil Vicente deixou de defender para além dos 90 minutos.

Luisão: dez anos de ilusão

A Bola chama, hoje, para a primeira página, mais uma das suas famosas efemérides. Normalmente estas efemérides assinalam meio século sobre vitórias internacionais do seu clube do coração, mas esta é diferente. Diferente porque são apenas dez anos. Diz assim: “Faz hoje 10 anos que Luisão chegou a Portugal“. Reparem bem: “chegou a Portugal”, e não, “chegou ao Benfica”. Faz toda a diferença. Luisão já é um símbolo nacional, uma espécie de filho adotivo da nação que o acolheu e beneficiou de todos os seus ensinamentos, dentro e fora dos relvados. Senão atentemos a alguns factos que preencheram o seu percurso, até hoje, em Portugal:
– Em janeiro de 2007, foi condenado a 40 horas de trabalho comunitário depois de ter sido detido a conduzir com uma taxa de alcoolemia de 1,44 gramas por litro de sangue. Na altura, não ficou inibido de conduzir pelo facto de ser uma figura pública, segundo o jornal Público.
– Em janeiro de 2008, teve de ser separado de Katsouranis, quando os dois estiveram para andar à batatada, em pleno relvado do Bonfim. Na altura, o clube suspendeu os dois jogadores, mas levantou a suspensão do central mais cedo por ser um dos capitães.
– Em agosto de 2012, abalroou o árbitro do jogo particular contra o Fortuna de Dusseldorf, aplicando-lhe um encontrão que o fez estatelar-se no chão. Esta carícia custou-lhe dois meses de suspensão.
– Pelo meio, arranjou tempo para ganhar imensas Taças da Liga, Troféus Guadiana e Taças Eusébio. E foi campeão uma data de vezes. Duas, mais precisamente.
Um bem-haja, portanto, ao jornal de Vítor Serpa por ter trazido à primeira página um assunto tão relevante para o nosso país.

Os lances polémicos de Setúbal

As regras do futebol não têm mistérios. Uma cabeçada num adversário é agressão, logo tem de ser punida com expulsão. Um toque na perna do adversário, seguido de “tesoura”, provocando-lhe a queda, é falta. Se for dentro da área é penalti. Não percebo toda a histeria à volta destas questões. O benfiquista que comentou o jogo para a Antena 1 – José Nunes – disse que houve um toque na perna de Jackson Martinez, mas que não era o suficiente para que o colombiano caísse. Como é que ele sabe que não foi o suficiente? Em que dados objetivos se baseou para afirmar aquilo com tal assertividade? Não satisfeito, o comentador foi mais longe: disse que o Jackson “caiu ao ralenti”. Alguém informou o senhor que aquilo eram imagens em câmara lenta?

Quintero

Faz-me lembrar aquele puto que todos queríamos ter na nossa equipa, quando jogávamos aqueles joguinhos de 10 minutos nos intervalos da escola. Aquele puto com ar de quem gosta de entrar com a bola pela baliza dentro e a quem descobrimos uma finta nova todos os dias.
Acho que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser titular desta equipa, falta saber em detrimento de quem.

Tradições de Verão

Algumas coisas nunca mudam, ou melhor, alguma coisa tem de mudar para que o essencial fique na mesma. Vem isto a propósito da barrigada de riso que foi ver o Marítimo-Coisinhos.

O que mudou foi o facto do Maxi Pereira ter levado um amarelo antes dos 89 minutos e quando ainda só tinha feito 2 ou 3 faltas que o justificassem… O que não mudou foi o estilo isento das transmissões televisivas: quem esteve minimamente atento terá reparado que o lance do penalty assinalado contra os vermelhuscos foi mostrado 267 vezes, de múltiplos ângulos, durante e depois do final da primeira parte; no final da segunda, já com os Coisinhos desesperados, o Heldon cai na área do SLB com (presumo, e já vão saber porquê) o Maxi pendurado no pescoço. Repetições? Esperei, esperei, vai ser agora que a bola está fora… Népia, niente, nicles, nada mesmo. Em contrapartida, minutos depois, o Lima estatela-se na área do Marítimo depois de uma grande correria e, surpresa, temos direito a 35 versões do mergulho para a piscina…

Existe quem diga que a maioria dos portistas, como eu, vibra mais com as derrotas e as desgraças do SLB do que com os feitos do nosso clube. E que falamos muito deles. É verdade: as vitórias do FCP tornaram-se quase 100% previsíveis e as palhaçadas dos Coisinhos são a coisa mais divertida do futebol português. Mas não confundam a diversão com a devoção. É por isso que este post fica por aqui: começou o nosso jogo!

Novelas de verão

O início do campeonato está finalmente aí mas, devido a esta bizarra data de encerramento do mercado (depois de todos os campeonatos da Europa ocidental terem tido início) ainda vamos ter mais episódios das novelas de verão que tanto papel ajudam a vender em Portugal.

As nossas personagens principais chamam-se agora Jackson Martinez e Varela, ainda que subsistam papéis secundários para o Atsu, para o Iturbe e para o infeliz Rolando. No caso do Varela, confesso que me divido entre o eventual bom negócio que seria vendê-lo por 7 ou 8 milhões e a noção de que por esse valor não arranjamos sequer alguém com iguais capacidades. No caso do Atsu, a sua saída já tarda, mas em caso algum o Porto lhe deverá facilitar a vida – é preferível perder meia dúzia de milhões de euros do que premiar a falta de gratidão e dar um péssimo exemplo a potenciais réplicas. Quanto ao Iturbe, o ideal seria um empréstimo a um clube português pois não creio que evolua no sentido desejado num campeonato como o argentino. A situação do Cha Cha Cha é, simultaneamente a mais simples e a que poderá ter maior impacto desportivo: o homem deve ter muita gente a acenar com contratos bem melhores do que o que tem com o Porto mas nenhum desses clubes se chegou à frente para bater os 40 milhões da cláusula de rescisão. Partindo do pressuposto que ele tem contrato com o FCP até 2016, talvez fosse melhor dizer-lhe para ter juízo e, na medida do possível, satisfazê-lo ao nível salarial. Por fim, o que disse Rolando – acredito que não lhe tenham facilitado a vida depois da recusa de uma transferência para o QPR desejada pelo clube. Mas, pelo que julgo saber, pagaram-lhe sempre a horas e ele nunca foi propriamente um indiscutível na nossa equipa. Por esse motivo, não creio que se justifique todo o azedume das declarações feitas em Itália.

Contudo, as estrelas do Verão são sempre vermelhas – uns porque chegaram e são os novos Eusébios ou Rui Costas, outros, os que já cá estavam, porque meia Europa do futebol os deseja. É um espetáculo trágico-cómico porque já sabemos como acaba: raramente acontece uma transferência do calibre das que o nosso PdC faz e no final da época os alegados Eusébios e os Rui Costas saem discretamente sem ganho financeiro significativo ou glória desportiva. Melhor ainda é observar como um supostamente muito valioso Cardozo não consegue ser vendido sequer por valores na ordem dos 15 milhões. Ou como o Benfica se prepara para engolir todo o rigor disciplinar e aceitar o gajo de volta, apesar do pedido de desculpa jamais ter sido dirigido ao maior desrespeitado… Outros casos giros são os do Garay, do Gaitan e o do Sálvio mas, sobretudo, o do Matic, que hoje é referido n’A BOLA como “um dos melhores do mundo” – segundo os jornais desportivos do costume toda a gente os quer ainda que valham dezenas de milhões, mas o tempo vai passando e as únicas saídas no Benfica são casos tristes como o do Luisinho ou a estranho reencaminhamento do astro argentino Farina para o Dubai… E já me esquecia do Coentrão 2.0, que até o Liverpool desejava mas que, afinal, vai ficar a fazer de pendura a um defesa esquerdo brasileiro que, ou muito me engano, ainda nos vai dar mais alegrias do que o Roderick (que assumo, foi uma das transferências de Verão que mais me entristeceram).

Sim, ainda faltam algumas semanas para este circo fechar as portas e muita coisa pode mudar.