Novelas de verão

O início do campeonato está finalmente aí mas, devido a esta bizarra data de encerramento do mercado (depois de todos os campeonatos da Europa ocidental terem tido início) ainda vamos ter mais episódios das novelas de verão que tanto papel ajudam a vender em Portugal.

As nossas personagens principais chamam-se agora Jackson Martinez e Varela, ainda que subsistam papéis secundários para o Atsu, para o Iturbe e para o infeliz Rolando. No caso do Varela, confesso que me divido entre o eventual bom negócio que seria vendê-lo por 7 ou 8 milhões e a noção de que por esse valor não arranjamos sequer alguém com iguais capacidades. No caso do Atsu, a sua saída já tarda, mas em caso algum o Porto lhe deverá facilitar a vida – é preferível perder meia dúzia de milhões de euros do que premiar a falta de gratidão e dar um péssimo exemplo a potenciais réplicas. Quanto ao Iturbe, o ideal seria um empréstimo a um clube português pois não creio que evolua no sentido desejado num campeonato como o argentino. A situação do Cha Cha Cha é, simultaneamente a mais simples e a que poderá ter maior impacto desportivo: o homem deve ter muita gente a acenar com contratos bem melhores do que o que tem com o Porto mas nenhum desses clubes se chegou à frente para bater os 40 milhões da cláusula de rescisão. Partindo do pressuposto que ele tem contrato com o FCP até 2016, talvez fosse melhor dizer-lhe para ter juízo e, na medida do possível, satisfazê-lo ao nível salarial. Por fim, o que disse Rolando – acredito que não lhe tenham facilitado a vida depois da recusa de uma transferência para o QPR desejada pelo clube. Mas, pelo que julgo saber, pagaram-lhe sempre a horas e ele nunca foi propriamente um indiscutível na nossa equipa. Por esse motivo, não creio que se justifique todo o azedume das declarações feitas em Itália.

Contudo, as estrelas do Verão são sempre vermelhas – uns porque chegaram e são os novos Eusébios ou Rui Costas, outros, os que já cá estavam, porque meia Europa do futebol os deseja. É um espetáculo trágico-cómico porque já sabemos como acaba: raramente acontece uma transferência do calibre das que o nosso PdC faz e no final da época os alegados Eusébios e os Rui Costas saem discretamente sem ganho financeiro significativo ou glória desportiva. Melhor ainda é observar como um supostamente muito valioso Cardozo não consegue ser vendido sequer por valores na ordem dos 15 milhões. Ou como o Benfica se prepara para engolir todo o rigor disciplinar e aceitar o gajo de volta, apesar do pedido de desculpa jamais ter sido dirigido ao maior desrespeitado… Outros casos giros são os do Garay, do Gaitan e o do Sálvio mas, sobretudo, o do Matic, que hoje é referido n’A BOLA como “um dos melhores do mundo” – segundo os jornais desportivos do costume toda a gente os quer ainda que valham dezenas de milhões, mas o tempo vai passando e as únicas saídas no Benfica são casos tristes como o do Luisinho ou a estranho reencaminhamento do astro argentino Farina para o Dubai… E já me esquecia do Coentrão 2.0, que até o Liverpool desejava mas que, afinal, vai ficar a fazer de pendura a um defesa esquerdo brasileiro que, ou muito me engano, ainda nos vai dar mais alegrias do que o Roderick (que assumo, foi uma das transferências de Verão que mais me entristeceram).

Sim, ainda faltam algumas semanas para este circo fechar as portas e muita coisa pode mudar.

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