A hegemonia do ridículo

Os benfiquistas continuam sentados à espera da prometida hegemonia do futebol português, que, volta e meia, o presidente do clube se lembra de lhes atirar aos olhos. Se não é Vieira, é Jesus, que, nestas coisas de fanfarronice, também não lhe fica atrás. Que iam ser maiores que o Real Madrid, que estavam à beirinha do domínio do futebol português, que em três anos iam ganhar uma Liga dos Campeões, enfim, um conjunto de alarvidades de quem ainda se julga o “mais grande” de qualquer coisa que já não existe. Essa coisa que já não existe é um país a preto e branco, governado por um senhor que gostava que todos fôssemos benfiquistas para exultarmos com os golos do Eusébio e esquecermos o resto. Não, obrigado.
A imprensa ajuda, claro, como todos nós sabemos. Por falar em Eusébio, vejam lá que, na ausência de um Makukula, conseguiram encontrar semelhanças entre um puto sérvio e o amante do tremoço, tecendo desde logo comparações entre dois estilos de jogar tão parecidos. Markovic, o pantera branca. É nisto que eles são bons: a construir castelos na areia. Luisão é um caso paradigmático. Todos os anos perseguido, coitado, pelos tubarões europeus, viu, também todos os anos, os Pepes, os Ricardos Carvalhos, os Brunos Alves passarem-lhe à frente e conseguirem os contratos das suas vidas. A questão que o “normal” adepto benfiquista não parece querer ver é que os jogadores do seu clube não são tão bons como A Bola ou outros apregoam. Veja-se o caso de Cardozo. Ninguém dá o dinheiro que o Benfica quer por um jogador que é tão indisciplinado, que falta ao respeito ao treinador, que agarra a camisola de um árbitro, que tem um registo de tanta indisciplina. Ninguém dá 15 milhões por um jogador que quer sair do seu clube. Por isso é que o Fenerbahce chegou apenas aos 7 milhões. Sim, Pobo do Norte sabe que foram sete milhões, não mais. E por isso é que se assistiu àquele pedido de desculpas ridículo que, curiosamente, nunca referiu o nome do treinador, que foi o ofendido em primeira instância. Cardozo pediu perdão aos adeptos, à direção, aos jogadores e à equipa técnica. Nem uma palavra em particular para com o mister da chicla. É também por isto que eu acho que aquilo vai ser um barril de pólvora se o paraguaio ficar e as coisas começarem a dar para o torto (como já se está a ver, com as derrotas com São Paulo e Nápoles). E talvez não seja de menosprezar o lobby sérvio que se pode constituir como ameaça à unidade do balneário.
Sigo com curiosidade as frustradas tentativas de Vieira de vender “à FCPorto” e a forma como A Bola tenta construir uma imagem de intransigência. Vieira, o duro. Vieira, o defensor dos interesses benfiquistas até ao último cêntimo. Resultado: ninguém pega em Cardozo, ninguém pega em Melgarejo, ninguém pega em Matic. Entretanto continuam a importar carradas de jogadores como se não houvesse amanhã. Com que dinheiro?
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6 thoughts on “A hegemonia do ridículo

  1. Guarda Abel, isso agora é conversa fiada dos sucessivos dirigentes do Benfica, com quase 30 anos de propaganda, +/- desde que o FCP começou a causar sérios problemas ao domínio benfiquista.
    Agora serve apenas para consumo interno, para garantir a reeleição do orelhas por mais 4 anos.
    A desculpa eterna é que somos todos corruptos.
    Vai ser lindo um dia que o PdC se retire para os seus aposentos e o seu sucessor continue a manter a senda das vitorias. Também será corrupto, porventura.

    Quanto aos episódios mais recentes, o perdão de Cardozo foi tão patético que duvido que engane sequer os Benfiquistas mais fervorosos, quanto mais o restantes. Claro que só podia vir pelo canal de parcialidade do veiculo de propaganda vermelhusca.
    Enfim, as orelhices a que o presidente benfiquista já nos habituou.
    Quanto à imagem do LFV, sempre afirmei desde o inicio dos seus mandatos, que ele tenta ser uma copia barata do PdC, para comprar votos e eternizar-se na luz.
    Muitos benfiquistas já perceberam isso, mas a maior parte vai na conversa. Sorte nossa.
    Como em muitas outras coisas, claro que o original é sempre o melhor. 🙂

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  2. Mas isto é um blog do benfica? Acabei por chegar aqui num tropeção de links, e tive curiosidade para saber a opinião dos portistas relativamente à sua equipa e gestão, visto que sou um leitor assíduo de blogs de futebol. Deparo-me com este fantástico post dedicado inteiramente ao BENFICA e ao seu plantel, o que só prova as palavras de um certo jornalista que escreveu: “cada portista é um benfiquista em potência”. É por isso que por mais que ganhem (e sim, são a equipa com mais títulos com algum mérito), nunca chegarão à grandiosidade de outros, mantêm-se pequenos com este tipo de atitudes. Afinal o querido líder dá o exemplo, veja-se o final da supertaça entre fcp e o vitória, em que o nome do clube do costume tem necessariamente de vir à baila.

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