Apresentação 12/13

Foi uma festa bonita a que tive a oportunidade de assistir pela televisão. Foi a minha primeira falta a um jogo de apresentação no Estádio do Dragão e a primeira em muitos anos, já desde o velhinho Estádio das Antas. Na verdade, não me lembro de alguma vez ter faltado a este momento. Hoje, baldei-me por motivos que nada têm que ver com futebol, mas gostei de ter esta perspetiva diferente de quem se estende no sofá a moer uns amendoins enquanto a cerveja vai deslizando pela goela abaixo como o Atsu passa pelos adversários em velocidade.
É precisamente sobre o messi ganês (esta mania de chamar Messi a todo e qualquer jogador promissor que consiga, numa arrancada, deixar três adversários pelo caminho, já chateia) que gostaria de começar a escrever, mas antes queria dizer que estas apresentações já me motivaram mais. Em primeiro lugar, porque nada nos garante que todas aquelas caras que aplaudimos há uns minutos estejam de azul e branco vestido daqui a um mês. Todos recordamos que Falcao e Ruben Micael chegaram a começar a época passada, sendo mesmo convocados para o primeiro jogo do campeonato. Em segundo lugar, faltam sempre jogadores, normalmente envolvidos noutras competições ou a gozar férias porque estiveram em competição até mais tarde. Este ano, o caso dos brasileiros e do Abdoulaye nos Jogos Olímpicos é o exemplo. Em terceiro lugar, não há verdadeiramente nada de genuinamente novo nas apresentações, nada que nos possa levar a soltar um ah de espanto, que nos deixe colados de estupefação à cadeira. Em tempo de vacas magras é compreensível que não se entre em megaproduções, nem se encontre um danny boyle que invente um espetáculo nunca antes visto.
Falando agora concretamente do jogo – que é aquilo por que vale a pena ir ao estádio -, começámos bem, com Atsu a assumir o protagonismo. Acho que temos aqui um grande jogador em potência. A forma como ultrapassa os adversários em velocidade é impressionante. Mas a mim ficou-me na retina o modo como não se deixa inebriar pelos aplausos dos adeptos, preferindo sempre o passe para o colega mais bem colocado, a jogada em equipa, do que o protagonismo.
Após uns primeiros quinze minutos de domínio, deixámos que o Lyon equilibrasse e tivesse mais posse de bola, ainda que as melhores oportunidades fossem nossas. O nosso meio-campo não tomava conta do jogo, fruto da inépcia de um Defour que teima em não se assumir como alguém que faça a diferença. Se for para passar o tempo a passar para o lado e para trás, até eu faço uma perninha.
Na segunda parte, o belga melhorou quando lhe foram confiadas tarefas na posição seis, após a saída do insubstituível Fernando. A entrada de João Moutinho, como era expectável, trouxe qualidade à equipa e voltámos a estar bem nos primeiros quinze minutos. À medida que Vítor Pereira foi fazendo entrar todo o plantel (e aqui está outro dos problemas deste tipo de jogos),voltámos a perder qualidade, mas desta vez também o Lyon ajudava a esta sessão de terapia zen em que o jogo se transformou.
Uma palabrinha para o reforço Jackson Martinez. Teve duas hipóteses de golo e falhou-as. Ambas na primeira parte, na primeira chutou contra um defesa, na segunda permitiu a defesa a Lloris. Mas Martinez foi mais do que dois golos falhados. Foi um jogador calmo, inteligente, mostrou técnica, noção do espaço que ocupa (alô, Kléber?). Ao contrário do que dizia Bruno Prata na transmissão, não o achei rápido. Confio que ainda vai melhorar muito a condição física e que os golos vão aparecer brevemente.
Para finalizar, apenas posso interpretar a entrada de Iturbe nos descontos num cenário de empréstimo do novo messi argentino a uma equipa da primeira liga para a época que agora se inicia.

Posturas

Há sensivelmente um ano, Kléber era apontado como a next big thing do ataque portista, depois de um processo lento e longo que opôs o FC Porto ao Marítimo e que só serviu para aumentar as expectativas à volta do avançado brasileiro. Kléber mostrou, desde o início, um discurso humilde: queria aprender com Falcao. O avançado colombiano foi-se embora e o brasileiro perdeu o professor. O resto é história e nem vale a pena recordar.
Jackson Martinez chegou e, claro, volta-se a falar em Falcao. O discurso do novo colombiano é mais assertivo e parece mostrar um jogador de personalidade forte: “Falcão escreveu a [história] dele e felicito-o por isso. Contudo, repito, eu vou escrever a minha.” Agrada-me mais, como adepto, este tipo de postura. Estou farto de humildades e modéstias (por vezes, falsas…). Não gosto do espírito do “participar já é uma vitória” (como tantas vezes ouvimos na comitiva olímpica…) ou “fazer parte deste plantel já é um sonho”. Não digo que não se possa senti-lo ou pensá-lo, mas dizê-lo transmite para a opinião pública uma ideia de fragilidade que não facilita as coisas.