Mercados e mercadores

O que têm em comum Iturbe, Kelvin, Rolando, Álvaro Pereira, Belluschi, Castro, Bracalli, Sapunaru, Fucile e Beto? São todos jogadores que teriam lugar no plantel do FCP 2012/2013 e que , nuns casos, saíram ou sairão por valores muito baixos, noutros, vão ser emprestados sem nunca terem tido as oportunidades que merecem, e outros ainda, estão encostados ou fazem parte do plantel mas não jogam nem em partidas “a feijões”.

E aqueles nomes são apenas os exemplos que me parecem mais marcantes. Aceito que jogadores como o Sereno, Kieszek, Janko, Souza, Walter, Addy ou Ventura possam ter sido úteis num dado contexto (o caso do “pinheiro” austríaco é um exemplo disso) mas não tenham (ainda?!) qualidade suficiente para jogar no FCP, ou até, que existam razões “extra futebol” que os inibam de concretizar o potencial que quem os contratou viu neles (coisa já de si muito discutível no caso do guarda-redes polaco…). 
Vem isto a propósito da tragédia em que se têm crescentemente transformado as últimas pré-temporadas: os melhores estão sempre em vias de sair (ou a suspirar publicamente por isso…) e, todos os anos, chegam carradas de jogadores de segunda linha para substituir outros jogadores de segunda linha, os quais, por sua vez, passam de titulares a dispensáveis, de regularmente utilizados a ostracizados (alguém percebeu o que se passou com o Fucile e o que se passa com o Sapunaru?!) ou de brilhantes artistas a exilados no futebol turco (olá Bursaspor, aqui vai o Samurai).
Claro que todos sabemos que o futebol está cada vez mais mercantilizado, que é um negócio de milhões e que o “amor à camisola” é quase sempre uma treta porque os jogadores são profissionais e jogam por quem lhes paga melhor, onde têm mais visibilidade e mais possibilidades de vencer. Também sabemos que para uma multidão de agentes e dirigentes é essencial movimentar a “mercadoria humana”, para ganharem comissões chorudas em negócios inexplicáveis, enfim, para meterem a mão no prato. Percebo tudo isto, ou melhor, a perspectiva de agentes e jogadores, mas já me custa mais a perceber o papel dos dirigentes, ou talvez não… 
Enfim, se não quiser fazer acusações sem provas concretas terei que me cingir ao óbvio: não tendo motivações ilícitas, aquilo que este entra e sai de jogadores representa é então pura má gestão, irresponsabilidade e incompetência no estado mais puro, coisas que vão sendo esquecidas ou obscurecidas pelos comparativamente poucos fantásticos negócios que se foram fazendo. Porque por cada Cissoko, Bosingwa ou Meireles comprado ao preço da chuva e vendido a peso de ouro existe uma multidão de negócios/jogadores falhados que, cumulativamente, custaram muito caro (em salários e/ou na sua aquisição) – só desde 2005, lembro-me do Tomas Costa, do Benitez, do Walter,  do Stepanov, do Christian Rodriguez, do Valeri, do Bollati, do Leandro Lima, do Kazmierczak, do Lucas Mareque, do Renteria, do Bruno Moraes, do Sonkaya, do Sokota… é preciso dar mais exemplos?
E, no meio deste regabofe comprador, é cada vez mais raro ver um jogador das camadas jovens (já nem digo português…) ter a oportunidade de jogar na equipa principal. Este ano temos, aparentemente, o Atsu, mas o que dizer do desperdício do Castro (que é anunciado como a caminho da Roménia), que tanta falta fez na segunda metade da época passada, em que ficamos limitados aos 3 médios titulares e a um único suplente? 
Faltam 3 dias para final do prazo das transferências de verão: alguém consegue adivinhar o que vale o Porto versão 2012/2013 sem o Moutinho e/ou o Hulk, e sem tempo para contratar “substitutos”?

3 thoughts on “Mercados e mercadores

  1. Nem mais!
    Aliás, tudo isto contribui para o meu crescente desinteresse pelo futebol. Passou a ser tudo orientado para o dinheiro. Não que antigamente fosse tudo orientado a bem do desporto e dos adeptos, mas nos últimos anos a coisa descambou.

    Que sentido faz um mercado aberto até 31/8 quando os campeonatos já estão em pleno andamento?!
    Que sentido faz um clube dominado/tolhido por empresários, que redunda no entreposto comercial que o Pôncio descreve?

    E já nem falo na ditadura da TV.

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  2. É impressão minha ou os ex-jogadores do Porto no Braga estão a jogar um futebol fantástico? não vi o último jogo do FCP mas vi a primeira mão do Braga e os últimos 45 minutos desta segunda, e digo-vos uma coisa, já não via um futebol assim tão bonito e espetacular desde os tempos do Mourinho, Peseiro surpreendeu-me e já tá na hora de fazerem um postzinho ao Braga que também é um clube do pobo do Norte, o Braga é a verdadeira equipa B do FCP, e consegue jogar bem melhor, como é possível preferir o Hélton ao Beto que fez dezenas de defesas espetaculares nas duas mãos, haja paciência, enfim, é até os colhões se acabarem…

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