Quem dá o que tem

Ser italiano, hoje, futebolisticamente falando, deve ser uma felicidade imensa. É ver uma seleção, dada como não-favorita, crescer de jogo para jogo, libertar-se do estigma catenaccio, jogar com os olhos na baliza, e eliminar uma das apontadas, à partida, como potencial vencedora da competição. É ter um maestro fantástico, de nome Andrea Pirlo, um conjunto de jogadores à sua volta, de ambição tremenda e, claro, muito talento. Do guarda-redes Buffon ao ponta-de-lança Balotelli.
Contra a Espanha, nós fomos, do ponto de vista defensivo, muito italianos no sentido tradicional do termo. Permitimos “apenas” 57% de posse de bola ao adversário, feito de que poucos se podem vangloriar, e vimo-los a errar muito no meio-campo. Tiveram as suas oportunidades, é certo, mas em número reduzido. Xavi passou ao lado do jogo e Negredo foi uma nulidade. O problema é que – e voltando a comparar com a Itália – não conseguimos ser realmente incisivos no ataque. Faltou-nos assustar uma Espanha de forma contínua e não vivendo apenas dos fogachos que Ronaldo ia acendendo. Ronaldo, que era a real ameaça que os espanhóis temiam. Como se viu, com razão, pois o resto da equipa pareceu nunca conseguir acompanhar o seu ritmo. Foi com naturalidade que, sem ponta-de-lança de nível europeu, com um Nani estranhamente inconsequente, Ronaldo de rastos, o nosso meio-campo se dedicou, no prolongamento, única e exclusivamente a tentar evitar que a Espanha chegasse com perigo à área. Se nos 90 minutos podemos admitir que o jogo foi equilibrado – ainda que as melhores oportunidades tenham sido espanholas – o prolongamento foi um sufoco, com os espanhóis a terem recursos como Navas e Pedro Rodriguez, coisa que não temos no nosso banco.
Ao contrário do que Ronaldo dizia, naquela imagem que se viu após os penaltis, não acho que a nossa eliminação tenha sido uma injustiça. Sejamos realistas: fizemos muito neste Campeonato da Europa, mas fomos até onde as nossas reais capacidades permitiram. Limitados por um “plantel” curto, chegar à meia-final e ser eliminado nos penaltis pela campeã em título não é bom – é excelente. Parabéns, Portugal. Quem dá o que tem a mais não é obrigado.
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