Um país inteiro a chorar

Estou a ver o Aimar na televisão. Ele suspira, olha o vazio e, resignado, atira um “é sempre o mesmo… já não vale a pena”. O Benfica é, neste momento da História Universal, a maior vítima à face da Terra. E daqui a uns anos, as criancinhas aprenderão na escola que Hitler mandou exterminar os judeus, que a Inquisição atirou muita gente para a fogueira, e que o Benfica foi perseguido por Pedro Proença, pelo eslovaco que arbitrou hoje, e por Platini. O francês é o cérebro de toda uma conspiração que pretende evitar que o Benfica volte a ser campeão europeu e os adeptos benfiquistas, sempre muito racionais, fartaram-se de chamar pelo seu nome, hoje, em Stamford Bridge.
Jorge Jesus volta a pôr em causa a honorabilidade do árbitro, Luis Filipe Vieira fala em escândalo e pede a intervenção da Federação, o Sílvio Cervan tem dificuldade em engolir e até o “jornalista” Carlos Daniel fala de arbitragem com adjetivos como “deplorável” e “incrível”. É todo um país a chorar. Até nós, portistas, choramos, pois estou certo que gostaríamos de ter assistido a uma goleada histórica, mas que este Chelsea fraquinho não foi capaz de construir.
O mais hilariante nisto tudo é que os lances capitais deste jogo, sobre os quais pesa toda a polémica, foram absolutamente bem ajuizados pelo árbitro. Eu creio mesmo que, no lance do penalti, o eslovaco poupou o vermelho direto a Javi Garcia, pois o jogador do Chelsea só tinha Artur pela frente. Na expulsão de Maxi Pereira, o amarelo é o mínimo para quem carimba a canela do adversário com os pitons daquela forma. Aliás, este lance fez-me lembrar o de Bruno César no jogo com o Paços de Ferreira a que o árbitro fez vista grossa (também ali seria, no mínimo, o segundo amarelo).
E aqui é que eu queria chegar: o Benfica encontrou hoje uma arbitragem que marcou o que tinha de ser marcado, que expulsou quem tinha de ser expulso. Uma arbitragem que fez o que tinha a fazer em concordância com as leis do jogo. Uma arbitragem a que Jorge Jesus não está habituado e que Javi Garcia ou Maxi Pereira estranham, pois em Portugal podem fazer o que lhes apetece sem castigo. Imagine-se que, hoje, até Jorge Jesus foi mandado para a sua área delimitada, ele que costuma passear por toda a linha lateral como se estivesse em casa.
No meio desta histeria toda, ninguém fala do fantástico golo do Raul Meireles, que correu meio campo e fuzilou a baliza de Artur de forma brilhante. Grande Raul, quase te perdoei hoje a última época, sofrível, com a camisola azul e branca.
Anúncios

7 thoughts on “Um país inteiro a chorar

  1. O momento de humor da noite (ou melhor, um deles, porque houve vários) foi quando JJ, à sua boa maneira fez um raide fora da área que lhe está reservada (e que ele teima em desrespeitar, lá está, as leis são para todos, menos para o …ica):
    Virando-se para o árbitro e apontando para a área disse “small, small, small”.
    Ou seja, no entendimento deste iluminado, a área para o JJ devia cobrir algo como…meio campo, talvez? Para poder trocar umas palavrinhas com Artur para este rebolar no chão, talvez? Hum? Que dizem?…

    Mas isto foi contado pelo comentadeiro da TV. Porque eu não acredito que ele conseguisse articular uma palavra que fosse em Inglês. Já para o fazer em português é o que se sabe.
    Eu acredito que o JJ estava era com sede e pediu um “sumol, sumol, sumol”, só pode…

    De resto, esta puta desta choradeira nojenta já mete nojo.
    O mais irónico nisto tudo é que os protagonistas deste jogo foram Javi Calceteiro e Maxi Pereira. O primeiro, que fez um penalty contra o Braga, agora viu-lhe ser assinalado um lance em tudo semelhante. O segundo, que joga em Portugal há 5 anos e nunca (!!!!) viu um vermelho conseguir aguentar 35 minutos em campo antes de ir tomar banho mais cedo.
    Lindo.

    Gostar

  2. Não vi o jogo, mas quando cheguei a casa, ainda antes de saber o resultado, apanhei o ecrã cheio com as ventas de Luís Filipe Vieira, dizendo do árbitro e de Platini, o que Mafoma não disse do toucinho. Pela toada, julguei que o jogo tivesse acabado empatado, ou assim, e que o golo do Chelsea tinha sido um penalte no último minuto.

    Seguiu-se o resumo dos lances que serviam de base ao queixume desbragado de LVP. Fiquei chocado. Um penalty claríssimo bem marcado, mas em que o árbitro favorece o Benfica por deixar Javi em campo. Uma entrada ao homem de Maxi deu direito ao segundo amarelo, em perfeita sintonia com as leis do jogo, safando-se ao vermelho directo porque foi de frente e a baixa velocidade de execução.

    Na minha habitual candura e benevolência ainda pensei: -“Bom, se calhar o SLB massacrou tanto o Chelsea e teve tantas oportunidades de golo, que a frustração de LVP é justificada, sendo estas declarações o seu natural reflexo.” Mas depois veio o resumo do jogo e sou confrontado com a realidade de que o Benfica se safou a uma goleada certa, não fossem os escandalosos – esses sim! – falhanços de um miserável Torres e um desastrado Kalou. O Chelsea foi tremendamente superior, seja qual for a substância psicotrópica que tolde o juízo benfiquista.

    Bem feitas as contas, o Benfica devia achar-se satisfeito por ter saído da Champions de cabeça erguida, mas as suas máximas figuras, dando provas de um baixo nível que confrange qualquer português que se sinta, preferem recusar qualquer sombra de honra na derrota e saem de competição estrebuchando como o animal que melhor lhes serve de comparação. No fundo, aquela conversa tem a substância e o valor de um longo e abjecto grunhido.

    Gostar

  3. Em 2004, após a realização da Supertaça Europeia, em que o FCP perdeu com o Milan, o jornal de caserna chamado A Bola, presenteou-nos com uma alarve primeira página com uma garrafal “Bravo Rui!!”.
    O lambecusismo militante ao …ica de que aquele jornal padece levou-os a dar os parabens ao Príncipe de Florença por esta “conquista” (acho que o dito azeiteiro, salvo erro, entrou apenas 10 minutos em campo). O facto do outro lado estar uma equipa portuguesa, com vários jogadores da seleção nacional foi mandado para a valeta por aqueles “profissionais” do “jornalismo”…
    Pela mesma lógica editorial, esperava-se hoje que o mesmo jornal pusesse um enorme “Thanks Raul” ou “Great job, Raul” ou ainda “What a Goal, Raul!!!”

    Afinal, era apenas o único português em campo.

    Não aconteceu.
    Preferiram por em destaque a choradeira da nação ….ista, magoada no seu “derriere” após um jogo em que podiam ter facilmente enfardado mais 3 ou 4.
    É assim a bola e é assim A Bola.

    P.S. Ontem, o …ica a perder 1-0 e os lampiões a cantarem “Ninguém pára o Benfica”. Sublime…

    Gostar

  4. caríssimas(os),

    votos de uma Santa e Feliz Páscoa, para vocês e para todos quantos vos são queridos!
    (extensível a quem visita este blogue de referência da bluegosfera)

    cuidado com as amêndoas e com o coelhinho (da Páscoa?)
    qual coelhinho? o do vídeo em anexo 😉

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todas(os) vós! 😉
    Miguel | Tomo II

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s