FC Porto e Benfica: comparar os onzes

Há dias, discutia com um amigo a clássica matéria de “quem é que, no onze do Benfica, entrava no onze do FC Porto” (e vice versa). Chegámos a conclusões semelhantes ainda que com diferenças de pormenor. Neste tipo de discussão, nunca conseguimos despir totalmente a nossa cor clubística, mas eu proponho-me fazer esse esforço na análise que se segue. Se o consegui ou não, digam-no vocês.
Guarda Redes
Desde Preud’Homme que o Benfica não tinha um guarda-redes que valesse pontos e vitórias. Conseguiu isso com Artur, depois de um espanhol de boa memória para todos nós ter sido precisamente o contrário. Creio que o seu valor está muito próximo do de Helton e nem me custa admitir que se equivalem, mas este é um daqueles casos em que pesa a experiência, a voz de comando e a identificação com o clube. Gosto muito de Helton e acho que cada vez está melhor à medida que os anos passam. Não trocava.
Veredito: Helton
Defesa Direito
Não incluo aqui Danilo porque não está disponível para o clássico de amanhã e fez pouquíssimos jogos pelo FC Porto. Nesta posição, admito que o Benfica está, com Maxi Pereira, mais bem servido. O uruguaio defende razoavelmente bem e ataca com velocidade e garra. Não me choca dizer que é um jogador “à Porto” e que Sapunaru não tem a stamina que Maxi possui.
Veredito: Maxi Pereira
Defesa Esquerdo
Aqui, parece não haver discussão possível, e até acho que o nosso suplente seria titular no Benfica.
Veredito: Álvaro Pereira
Defesas Centrais
A questão dos centrais é passível de muita polémica. Se, por um lado, o Benfica parece ter em Luisão e Garay uma dupla fiável e pouco propensa a erros de palmatória, parece-me que os centrais do FC Porto  revelam melhor capacidade posicional na área. No entanto, os centrais do FC Porto, talvez porque arriscam mais, falham também mais. Nesta altura é muito mais difícil encontrar uma dupla inquestionável no FC Porto do que no Benfica pela simples razão de que os dois suplentes do clube da Luz – Jardel e Miguel Vítor – são inferiores a qualquer um dos quatro do FC Porto. Falando individualmente de Luisão e Rolando, os dois que há mais tempo jogam nas respetivas equipas, penso que o brasileiro tem mais carisma e peso no seu plantel do que Rolando no do FC Porto. Eu nunca gostei do estilo de jogador de Luisão, mas reconheço que a sua presença impõe mais respeito aos adversários do que a de Rolando. O português atravessa uma fase estranha em que acumula pequenos erros atrás de pequenos erros. Falando do outro central, tenho grandes esperanças na evolução de Mangala, mas ainda está verde para este ambiente, e ainda tenho demasiado presente o desastre de Manchester para desejar Otamendi a titular, por isso é entre Maicon e Garay. Sinceramente, ainda não vi nada de extraordinário no argentino que veio do Real Madrid que o faça merecer tirar o lugar a Maicon, um jogador que está numa fase muito boa tanto a nível defensivo como ofensivo.
Veredito: Luisão e Maicon
Médio Defensivo
Não tem comparação a qualidade de Javi Garcia a distribuir fruta pelos adversários sem que consiga ser expulso uma só vez. Acho que aqui também não há discussão. Fernando é mais rápido e tem mais técnica de desarme.
Veredito: Fernando
Médio Criativo
Embora reconheça que o belga tem muita qualidade, prefiro João Moutinho, pois o português alia uma técnica fantástica ao “nervo” que, na minha opinião, falta a Witsel. Quando falo em “nervo” refiro-me àquela capacidade de, num curto espaço, ter a agilidade mental de resolver problemas. Witsel, para além de ser mais lento que Moutinho, desaparece por vezes do jogo. Moutinho, não, está sempre em alta rotação. Ainda no capítulo do remate, creio que é superior.
Veredito: João Moutinho
Médio Criativo
Ambos têm, como se costuma dizer, olhos nos pés. Ambos fazem um bem terrível às respetivas equipas, mas nenhum deles estará já na plenitude das suas capacidades físicas. Falo de Lucho González e Aimar. O baixinho do Benfica tem melhor capacidade de romper com a bola controlada, enquanto o El Comandante possibilita um jogo a campo inteiro com passes que desinstalam qualquer defesa. O remate de meia e longa distância é melhor no nosso argentino. Por razões sentimentais, a opção imediata, sem pensar, seria por Lucho, até porque acho que Aimar se atira demasiado para o chão para que o consiga levar mais a sério.
Veredito: Lucho González
Extremo Direito
Hulk ou Gaitan? Ambos são acusados de excesso de individualismo, ambos são capazes de levar os adeptos do mais puro delírio à mais profunda raiva em segundos. Eu prefiro, obviamente, Hulk por uma série de razões que me parecem evidentes e que qualquer benfiquista de bom senso compreende.
Veredito: Hulk
Ponta de Lança
Janko chegou há pouco tempo, já marcou alguns golos, mas também já falhou alguns. Cardozo é o melhor marcador do Benfica e, mesmo não se gostando do estilo por vezes pachorrento com que aborda o jogo, a verdade é que tem um pontapé com a esquerda que raramente vacila.
Veredito: Cardozo
Extremo Esquerdo 
Estando Varela de fora por lesão (também não o acho superior a qualquer das opções que o Benfica apresenta), o confronto é entre James Rodriguez e Rodrigo… No entanto, temos aqui um problema: é que o Benfica não joga num puro 4-3-3, parecendo-me mais talhado para um 4-1-3-2, por isso Rodrigo não encosta à linha. Da mesma forma, James, sempre que tem entrado do banco, não vai encostar à linha pois essa está alugada, a todo o comprimento, por Álvaro Pereira. É difícil esta decisão até porque são dois estilos completamente diferentes. James é mais 10, Rodrigo é mais 9. James é mais criador, Rodrigo é mais finalizador. Rodrigo parece-me ser mais rápido e melhor na cara do guarda-redes. James descobre saídas que julgávamos interditas. Aqui, a empatia clubística fala mais alto.
Veredito: James Rodriguez
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4 thoughts on “FC Porto e Benfica: comparar os onzes

  1. Boa análise, a do guarda! Só de acrescentar, que o Benfica já lá teve um parecido com o Fernando, um tal Ramirez. Esse tinha um Javi em cada perna e técnica para dar e vender.

    Este clássico tem o interesse incontornável da igualdade pontual entre os rivais. Fora isso, e apesar de toda a gritaria nesse sentido da comunicação social, o jogo está longe de ser decisivo. É importante, mas não será certamente decisivo. Quem leva 3 do Gil Vicente não pode esperar decidir o campeonato na Luz, com tanto, e em campos tão difíceis, para jogar. O inverso é verdade para o Benfica, mas menos, porque me parece uma equipa mais certinha, com mais soluções no banco e terá mais jogos em casa. A isto há que contrapor raça portista, alguma iluminação de última hora do treinador e a sorte dos campeões. Agora é o momento do colocar toda a carne no assador.

    Falando de imprensa, é mais um momento de apoio histérico mal disfarçado ao Benfica . Já deviam ter aprendido que isso não serve de grande coisa no momento da verdade. Sobretudo, ter Fábio Coentrão a lançar previsões costuma ser nefasto para o Benfica….

    Que espero do jogo logo à noite? Com o regresso de Javi Garcia ao onze do Benfica, espera-se muito cacete da sua parte, com a devida resposta dos jogadores do meio campo portista. Aposto que haverá expulsões. Em suma, castanhada de criar bicho, é o que a coisa promete. Colocam-se algumas esperanças em Janko, e eu concordo que é o que se tem. Mas o ideal, na minha opinião, para esmifrar aqueles centrais com rins de cimento seria um ponta mais móvel. Se ganharmos o meio campo e empurrarmos a vermelhada lá bem para trás, a coisa pia mais fininho, e Janko terá munições para disparar. Se formos impedidos de construir jogo, ficando a equipa comprimida longe da área adversária, ou partida, com os sectores distanciados entre si, Janko estará em campo apenas fazendo número. Vítor Pereira logo verá – espero eu.

    É um palpite que vale o que vale.

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  2. “Neste tipo de discussão, nunca conseguimos despir totalmente a nossa cor clubística, mas eu proponho-me fazer esse esforço na análise que se segue. Se o consegui ou não, digam-no vocês.”

    E que tal passar das intenções aos actos?

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  3. O Sport Bilis foi alterando o seu Nick à medida que o seu clube foi ganhando campeonatos.
    O problema é que nos últimos 30 anos essa merda persiste em não querer sair dos “#30 e picos”.
    Ou como faz notar, e bem, o António Silva, a preto e branco a vida tem outro sabor.
    Pena é que agora é mais Plasmas e , LCD's e outros LEDS, em vez de “radiofonias”…

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