Sai da frente, Shaktar

Não podia ter começado melhor a nossa campanha europeia. Defrontámos o nosso adversário direto na luta pelo primeiro lugar no grupo e ganhámos. Um grande jogo até às expulsões. Um jogo de Liga dos Campeões. Já tinha saudades deste ambiente, o nosso ambiente natural.
Mas, apesar da vitória, não gostei de tudo no jogo de hoje.
Não gostei da falha do Helton. E não gostei pela simples razão de que já não me lembrava da última dele, o que era bom sinal. E agora vou lembrar-me desta por alguns tempos. É claro que isto não põe em causa o facto de o Helton continuar a ser o melhor guarda-redes a atuar em Portugal, continuar a ser o melhor que tivemos depois de Baía, continuar a ser um símbolo do nosso clube e uma voz de comando do balneário. E o apoio que os adeptos lhe prestaram após a falha de hoje dispensa outras interpretações.
Não gostei da forma como “gerimos” o resultado depois do 2-1. Com o Shaktar reduzido e 10 e, depois, a 9, esperava “prego a fundo” da nossa parte rumo a um resultado mais dilatado. É que a questão do confronto direto é importante, e um eventual azar na Ucrânia pode colocar o 1º lugar em sério risco. Preferimos um jogo de “rodriguinhos”, de lateralizações, com poucos olhos no golo. O adversário arrastava-se e punha-se a jeito para a estocada final, mas essa nunca chegou. A saída de Hulk – questões físicas? – tirou-nos o poder de explosão e as entradas dos incipientes Djalma e Varela nada acrescentaram. Restava James, que já não tinha quem o acompanhasse.
Não gostei definitivamente da nossa defesa à zona nos cantos e não percebi o que levou o treinador a optar por essa postura. Foi desesperante ver os ucranianos a voarem à vontade e cabecearem, com perigo, de todas as formas e feitios, e os nossos defesas, estáticos, à espera que a coisa corresse bem por um feliz acaso. Fiquei irritado e espero que o treinador corrija esta aspeto.
Estou para aqui a queixar-me de um monte de coisas e até parece que perdemos o jogo. Mas o grau de exigência de um portista deve ser este. Querer a perfeição. Querer mais. É óbvio que achei que fomos superiores ao Shaktar e que temos uma equipa que dá garantias de sucesso. Hulk marcou um golo soberbo. James Rodriguez está a confirmar-se como imprescindível. João Moutinho e Defour fazem uma parceria que promete, e ter Bellushi no banco é um luxo. Álvaro Pereira põe em ebulição toda a ala esquerda. E Fernando volta a ser o “polvo” que todos conhecemos. Parece que, neste último caso, o jogador parece estar finalmente com a cabeça no sítio. Ainda bem.
Uma palavra para o árbitro, que não teve coragem de marcar dois penaltis num curto espaço de tempo contra a mesma equipa. Temos de o pôr a ver o vídeo do último jogo arbitrado por Duarte Gomes.

5 thoughts on “Sai da frente, Shaktar

  1. Bom dia,

    Tal como se previa ontem tivemos um jogo complicado, perante um adversário valoroso, que se tem vindo a afirmar na Europa.

    O jogo iniciou dividido até que o FC Porto ganha a grande penalidade que Hulk não converte.
    Para complicar ainda mais, Helton tem aquela infelicidade, e sofremos o golo.

    Os adeptos de imediato reagem, empurrando a equipa para a frente, e é com naturalidade que chegamos ao empate, naquele golo de apologia do Hulk. Grande míssil!

    Após a expulsão ainda na primeira parte do central da equipa ucraniana, as coisas complicaram-se para nós, embora se possa muitas vezes pensar que contra 10 é mais fácil.

    Os ucranianos encostaram o bloco defensivo, e exploravam o contra-ataque através de Wiliam e Luiz Adriano. É neste típico jogo que o Shahktar é perigoso.

    Todavia o FC Porto continuou a carregar, e sempre que acelerava no último terço, vinham à tona as fragilidades defensivas do Shahktar.

    Foi então que o melhor em campo – James, saca um coelho da cartola, e num lance de magia senta o defensor adversário e assiste Kléber para o golo da vitória.

    Até à expulsão do outro central do Shaktar, foi uma fase complicada do desafio.
    Nós não conseguíamos marcar o terceiro golo, e alguns dos nossos jogadores já estavam desgastados, como é o caso de Hulk, e tiveram de ser substituídos.

    Com o resultado pela margem mínima, o Shahktar revela-se sempre perigoso, daí alguma prudência atacante.

    Depois da expulsão do outro central, os ucranianos abandonaram a disputa do resultado, e até final foi o gerir do tempo.

    Grande apoio do público, muito importante no empurrar da equipa, depois de um penalti falhado e de um erro de Helton.

    O FC Porto está no patamar das melhores equipas da Europa, e ontem sentia-se que ganharíamos o jogo com maior ou menor dificuldade, apesar dos ucranianos terem uma excelente equipa.

    Estamos de volta ao nosso lugar, e acredito no apuramento para a fase seguinte.

    Abraço e boa semana

    Paulo

    pronunciadodragao.blogspot.com

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  2. Sentimos o mesmo pelo jogo e um melhor resultado não conseguido. Mas é mais uma análise que não toca na insuficiência do ponta-de-lança…

    Quanto ao árbitro, perdoou o penálti sobre Hulk, porque o auxiliar também não teve a coragem de o alertar para o agarrão.

    Mas tomara eu que Felix Brych apitasse o jogo com o benfas. Já vista a cacetada dos ucranianos de imediato reprimida e o que é permitido aos bermelhos nos jogos com o Porto?

    Lembrarmos os últimos clássicos com os caceteiros e ver estas duas expulsões dá-me arrepios só de pensar no que sucederá em breve no Dragão, mesmo sem eles terem o Davide, o Caientrão, o ex-marido de uma alegada vedeta da moda…

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  3. Exactamente Guarda

    Estou contigo nesta opinião, só critico mais o Helton e preferia o Beto, mas gostos são gostos, e eu nunca gostei do Helton, é apenas mais uma para contar às inumeras vezes que ele nos comprometeu na Europa, agora a sério não podem por outro guarda-redes nos jogos europeus?

    E Realmente não gostei nada dos últimos minutos contra 9, os ucranianos/brasileiros todos na grande area e nós com 4 defesas antes do meio-campo! Parecia o Cbordéing a jogar, os “rodriguinhos” mereciam uma assobiadela monumental, fosse isto com o Barcelona no seu estádio e até atiravam maçãs para o relvado, digo o Barcelona porque muitos portistas acham que é o exemplo a seguir, pois então que o demonstrem em campo e no estádio.
    Para mim foi uma vergonha, e como bem disseste os golos contam, aliás estamos em primeiro com o Apoel com o mesmo Goal Average, custava muito fazer centros para a área?

    O Djalma está mesmo numa equipa acima do seu nível, parece o Guarín no início a tentar mostrar serviço e a disparar para tudo o que é sítio, e precisamos de um avançado para situações como esta, em vez de Varelas e Djalmas lá para dentro o que era preciso era um Bigorna, ou um jovem dos Juniores para destabilizar a defesa adversária, ou porque não um Iturbe para dar espetáculo?…

    Ribeiro, muita gente não percebe essa dos “euforismos” mas está brilhante 😀

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  4. Eu explico Cian,

    quando o SLB venceu o primeiro dos seus dois campeonatos ganhos nos últimos 19 anos, o Petit, à saída dum jogo quando eram praticamente ladr…uh…campeões, saiu-se com essa pérola digna de um Jesus, dum Chalana e porque não dizê-lo(perdi a cabeça), um Luís Filipe Vieira:
    “Bamos ser campeões, mas não podemos entrar em euforismos”.

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