Jogo de preparação

O jogo com o Sbordem foi um bom treino: intenso, com emoção, em suma, uma boa preparação para o que aí vem. Temos a lamentar mais um possível lesionado, mas a equipa está preparada para (quase) tudo.

Agora mais a sério: a falta de intensidade inicial e o magnifico grelo que foi o primeiro golo do Sporting fizeram-me lembrar as circunstâncias das derrotas com o SLB e com o Nacional. Em todos eles entramos “moles”, o adversário chegou ao golo de uma forma quase acidental e não conseguimos inverter a situação. Sim, não me estou a esquecer do resultado do jogo com o Sevilha: dessa vez só não goleamos por mero azar e azelhice nos momentos capitais.

Ontem, porém, foi diferente, porque a equipa reagiu muito bem à desvantagem e só o melhor Rui Patrício que já vi jogar foi adiando o inevitável. Mesmo com um Hulk quase ausente na primeira parte e um Varela que faz o melhor e o pior na mesma jogada, sobrou muito Álvaro Pereira, muito Moutinho e muito Guarin para tão fracos oponentes. Mas emergiu acima de todos o melhor ponta-de-lança a jogar em Portugal, Radamel Falcao, um Jardel com menos centímetros mas com muita massa cinzenta, algo que se nota na forma como recebe, passa, segura e faz jogar. Atrevo-me a dizer que este é porventura o jogador mais insubstituível do actual Porto, o que explica a nossa “quebra” após o Ano Novo, altura em que este colombiano se lesionou e esteve afastado dos relvados.

O resto foram as baldas do Maicon (estou a perder a fé neste brasileiro), a incapacidade do Sereno em atacar o flanco (AVB defendeu o seu atleta no final mas a verdade é que tanto o Fucile como o Sapunaru atacam bem melhor, isto para não falar do uruguaio que actua do lado contrário…) a forma como o arbitro poupou nos amarelos sportinguistas (o André Santos fartou-se de fazer faltas e nada) e puniu vários jogadores do Porto por pecados menores deveria fazer o Couceiro estar caladinho. Sim, é verdade que aquela bola na mão do Rolando poderia motivar a marcação de um penalty, mas também foi claro que não existiu intenção nem o jogador do Porto tirou vantagem do ocorrido. Verdade mesmo é que o SCP poderia ter saído do Dragão com um resultado pesado e acabou por sair derrotado à tangente, com um alibi aborrecido.

Iturbe: destaque na Marca de hoje

O jornal espanhol Marca está para o Real como A Bola está para o segundo-classificado-a-19-pontos. Aquilo não se aconselha a ninguém, mas hoje saiu uma reportagem de uma página inteira sobre o nosso próximo fenómeno, Juan Iturbe, que eu não podia deixar de partilhar com todos os leitores do Pobo do Norte.

I-LUZ-ionistas (à moda do pasquim vermelhusco)

A minha curiosidade relativamente aos criativos jornalistas do “Rascord” é sempre premiada com verdadeiras piruetas discursivas. De uma forma ou outra, sabemos que as vitórias (ou mesmo os empates) do SLB são heróicos, as vitórias dos portistas são sempre por fraqueza ou inépcia alheia e o resto da malta nem conta para as vendas do pasquim. Talvez isso explique estes títulos:

“Muito Dragão para um débil Spartak, mesmo em Moscovo”
O que se passou: o Porto não deu hipótese aos russos, porque com o golo do Hulk, aos 28 minutos de jogo, a eliminatória ficou mais do que decidida. Os russos são bem melhores do que os holandeses com que os coisinhos empataram esta noite.

“Águias tremeram mas reagiram com classe.”
A realidade: os coisinhos estiveram a perder por 2-0 antes da meia-hora de jogo, contra uma equipa que, uma vez mais, alinhou sem o seu melhor jogador. E os passarocos tremeram demasiado para quem supostamente tem “classe”.

“Braga sorri após tanto sofrimento”
Aconteceu: jogaram com 10 mais de uma hora, mas tiveram as melhores oportunidades e, bem vistas as coisas, os ucranianos só chegariam ao golo por acaso, tal foi a forma inteligente como os minhotos defenderam o resultado.

O tal "sistema"

Já alguns comentaram, mas estas notícias merecem que lhes seja dado o devido destaque: segundo o observador presente no Coisinhos-FCP da semana passada, Duarte Gomes esteve muito bem, ao ponto de lhe ter atribuído nota 4 (numa escala de 1 a 5), entre outras coisas, “pela sua coragem” e por “não se ter deixado influenciar pelo ambiente”. Aliás, a falha que o observador imputa ao árbitro da partida é a de não ter parado o jogo para mostrar o amarelo ao central argentino do Porto (no início da partida, num lance em que as imagens mostraram nem sequer existir contacto…).

Poderíamos fazer o inventário das asneiradas de Duarte Gomes no dito jogo, que foram muitas e sistematicamente em desfavor do Porto, mas ocorre-me mencionar apenas 3, que seriam razões mais do que suficientes para atribuir nota bem negativa à arbitragem daquele senhor:
– penalty a favor do SLB que pura e simplesmente não tem razão de ser, tal como o amarelo subsequente;
– perdão da expulsão de Javi Garcia por agressão, um pontapé sem bola perto e com o jogo parado, a Varela;
– expulsão do Otamendi por acumulação de amarelos, num lance em que é muito duvidoso que a reacção do central do Porto à finta do Cardozo mereça sequer a marcação de uma falta, alegadamente, por obstrução.
Acresce que outras expulsões a jogadores do SLB ficaram por fazer e, claro, que a expulsão do argentino serviu para inclinar o campo e equilibrar um jogo que estavamos a controlar. A generalidade dos jornais, inclusive os orgãos semi-oficiais do SLB, deu nota negativa a Duarte Gomes: Público, Record e A Bola apontaram erros que só este observador não viu.

Uma nota final: como era previsível, o castigo para o homem da xicla foi meiguinho e cirurgicamente atribuído para ser cumprido em encontros nos quais o Benfica não tem nada a ganhar – os dois jogos da Liga entre o Coisinhos-FCP para o campeonato e o Coisinhos-FCP para a Taça. Quando os senhores das trevas falam da subsistência do “sistema”, deve ser a isto que se referem.

Falcao e companhia num lugar diferente

Cada vez que vejo o Porto 2010/2011 a jogar na Liga Europa fico com a sensação de que o nosso lugar não é ali, nesta competição. O FCP de Villas-Boas é uma equipa de uma dimensão superior, capaz de se bater com as equipas que actualmente disputam a Champions. O resultado deste processo está à vista: só uma equipa como o Vilareal poderá impedir-nos de vencer tudo e todos. Claro, isso ou um dia mau face a Benfica ou Braga.

Mas não tenhamos dúvidas: estes russos são muito “bons de bola” (os brasileiros que têm são jogadores tecnicamente evoluídos e rápidos). Esse facto e a perspectiva de voltar a jogar num piso sintético que é um ambiente estranho para os nossos jogadores fazem deste volumoso resultado um grande passo rumo à meia final com os espanhóis.

Quanto ao jogo propriamente, a história é simples: enquanto o Spartak teve energias para jogar “à Porto” esteve tudo muito incerto, muito equilibrado. Para além da felicidade de marcarmos primeiro (a chance inaugural foi deles), tivemos sobretudo mais ritmo e um Falcao que fez, independentemente dos 3 golos marcados, a melhor exibição de sempre pelo Porto. Nem depois do golo russo a equipa tremeu. Depois, quem tem jogadores como o Bellushi, o James e o revigorado Rodriguez no banco só pode ter um 11 poderoso. Mas o que fica na retina é o querer, a energia e o talento do nosso ponta-de-lança colombiano, que joga, faz jogar, segura a bola e, já agora, é o melhor marcador da competição. Um jogador que, para nossa tristeza e devido à pequenez do nosso campeonato, não deverá ser possível manter no Dragão para além da próxima época.

Fusível a menos

Eu tive um carro da marca Rover. Um dia, fui à oficina da marca por causa de um problema no ar condicionado. Quando de lá saí, com conta paga e um sorriso de orelha a orelha, reparei que o botão do dito ar condicionado passou a ligar os médios. No Estádio da Luz, é mais ou menos a mesma coisa. O apagão de ontem, durante os nossos festejos, teve origem, segundo o que uma fonte benfiquista disse à PSP, num problema com um fusível. Portanto, há um problema num fusível, a luz vai abaixo (menos a dos camarotes e dos painéis publicitários, que têm fusíveis VIP), e de repente ligam-se os aspersores. É muito à frente. Falta-me dizer que nunca gostei daquele meu carro Rover.