Até onde irá a pouca vergonha?

Depois daquela capa vergonhosa, no dia seguinte à derrota do seu clube em Braga, o jornal A Bola continua a sua saga de modo a lavar a face, a provar o que não pode ser provado, a justificar o injustificável. Hoje, noticia que “Direcção pressiona Vieira a romper já contrato com Olivedesportos” porque não gostaram de “alguns comentários emitidos durante a transmissão do desafio pela Sport TV” – ao ponto a que chegámos: querer romper um contrato por causa de comentários!. Para além disso, argumentam que há imagens, que “apenas foram exibidas pela primeira vez durante a flash interview de Jorge Jesus, após o fim do jogo” e que, segundo eles, mostram “claramente que Javi García foi abalroado pelo jogador do SC Braga, Alan, antes do contacto do braço de García com o seu opositor.” Para já, estamos no bom caminho, pois parecem admitir que há um contacto do braço do espanhol com o opositor (ainda que seja curiosa a terminologia usada: “abalroado“, no caso de Alan, “contacto“, no caso de Javi). Mas a coisa não fica por aqui. Na capa de hoje, o jornal A Bola apresenta um frame das imagens a partir da tal câmara que filma de frente o lance. E é curioso que este frame é o da entrada de Alan, com a seguinte legenda: “São estas imagens da falta de Alan sobre Javi e da inexistência de agressão deste, não apresentadas na transmissão em directo do Sp. Braga- Benfica pela SportTV que estão a indignar os encarnados“. Mais: o site do jornal desportivo publicou ontem, ao início da noite, um artigo que titula “Vídeo mostra que Jesus tinha razão“, porque o vídeo prova que “Javi García foi antes vítima de falta por parte de Alan, sem que tenha agredido o adversário“. O vídeo, como podem comprovar em baixo, está incompleto, pois a câmara afasta-se no preciso momento em que Javi agride Alan. Assim se compreende que a estação televisiva apenas tenha mostrado estas imagens uma vez, pois nelas não se vê a agressão. O que A Bola e a direcção benfiquista estão a fazer, de forma vergonhosa, é colocar todo o ênfase na falta de Alan, que existe (mas nada de abalroamentos, meus senhores), querendo desviar as atenções do essencial, que foi a justíssima expulsão do espanhol. Veja-se o vídeo que suporta toda a argumentação vergonhosa daquela gente e tirem-se as conclusões:

Actualização: o vídeo já foi retirado do You Tube, mas entretanto surgiu outro, igual, que não permite embedding. Podem vê-lo aqui.

11 pontos para cicatrizar

Depois de a poeira assentar, chegar-se-á facilmente à conclusão de que Javi Garcia agrediu mesmo o Alan, com o braço esquerdo, ao mesmo tempo que afastava a bola. As imagens apanham os jogadores de costas, mas é possível ver-se a agressão. Se aquilo é razão para a agonia do Alan, no relvado, isso já são contas de outro rosário. Agora, que há agressão, há. Por isso, a expulsão é justa. O que o segundo classificado (a 11 pontos) quer, com a ajuda do seu órgão oficioso, já todos sabemos: fazer de Xistra o bode expiatório da perda de um campeonato. Uma espécie de Olegário, versão 2. Esta primeira página de A Bola marca um momento na história do jornalismo desportivo português pelo facciosismo e parcialidade gritantes. A maior parte dos portistas lidam bem com a situação, e divertem-se, com um sorriso de orelha a orelha. Agora não se admirem se aparecer por aí um maluco qualquer a causar uma tragédia. Este tipo de jornalismo nojento põe-se a jeito.

E agora, ainda acarditas?

Os “condicionismos” do jogo foram demais para o homem da chicla. O espanhol viu (finalmente) punidas as suas mal-feitorias e o Roberto fez o resto. O golo do Mossoró foi um brinde. Há choro na TVi e nas redações do Record e da Bola dezenas de benfiquistas, perdão, de jornalistas tentam desesperadamente inventar uma primeira página elogiosa para a agremiação da Luz. O Xexus já deu a deixa…

Porque não te calas?!

Manuel Machado fez o que podia para travar o 1.º golo do Porto esta noite. Muita gente cá atrás, o melhor marcador da equipa no banco de suplentes e dois “aceleras” para os sprints em busca das sobras dos pontapés para a frente. E tendo em conta o resultado da primeira parte, o jogo estava a correr-lhe bem. O que o treinador do Guimarães não quis perceber foi que o jogo de faltinhas e encostos que o seu Vitória praticou tinha prazo de validade: não sobreviveria a um Porto mais dinâmico e mais pressionante, nem a uma arbitragem minimamente coerente ao nível disciplinar.

E se a primeira parte foi um bocejo, muito por culpa do baixo ritmo que o Porto imprimiu ao jogo e pela desastrada actuação do Bellushi (deve ter falhado mais de metade dos passes), na segunda parte tudo mudou. Aliás, mudou tanto que o Porto fez dois golos e o Vitória nem um remate para a estatística. Acresce que o central deles foi bem expulso: o primeiro amarelo é indiscutível e no segundo lance meteu a mão à bola para cortar um lance de iminente perigo – o que é que o Machado queria?

Manuel Machado é um treinador com graça, daqueles que dão cor ao nosso futebol, mais pelas suas tiradas pseudo-literárias (em que consegue dizer em 6 frases aquilo que qualquer mortal diria em 3 palavras) do que pelos seus méritos estratégicos. E hoje mostrou uma outra faceta, a de aziado, de mau-perdedor. Porque uma equipa que actua sempre na expectativa e faz somente 6 remates estatisticamente relevantes não pode ambicionar ganhar. Desconheço se a sua equipa foi prejudicada por este árbitro noutros jogos desta Liga; mas tenho a certeza que hoje não tem razão de queixa. Diria mais, foi até bafejado com 2 ou 3 livres decorrentes de faltas que só o árbitro viu, bem como 2 pontapés de canto que deveriam ter sido pontapés de baliza. Deveria estar caladinho ou, como fez o seu GR, simplesmente admitir que os adversários foram (e são) melhores.

Hoje cumprimos o nosso papel (duplamente: a malta do hóquei venceu os vermelhos por 7-5 e já está na frente do campeonato). Amanhã ficaremos a saber o que vale o Braga versão 2010/2011.

Nota final: mais do que “em casa” ou “fora”, vencer na TVi tem sempre outro sabor. E hoje tivemos direito a mais uma pérola: em pleno slow motion do lance em que o central do Guimarães mete a mão à bola, com o braço esquerdo bem aberto, imagens que dúvida alguma deixavam subsistir, o jornalista de serviço disse em tom de sentença: “parece que o corte é com o pé…”. Mais um candidato ao “Prémio Benfica TV”.