A obrigação de viver

Este não era o texto que planeava publicar hoje. Este não é o post que falaria desta sequência de jogos sem perder, não é aquele que fala da mutação do Bellushi, dessa nova encarnação do Lucho com metade do seu tamanho à qual chamamos Moutinho, não é nenhuma apoteose.

Este é o post sobre a morte de um homem que não conheci mas que viveu o seu, o nosso Porto, com a elegância genuína de quem nunca se sentiu diminuído por pertencer clubisticamente falando a uma franja de nortenhos com sotaque. A morte de Pôncio Monteiro, o verdadeiro, o único, fez-me pensar se faria sentido continuar a usar este pseudónimo. Se não seria um abuso assinar com este nome e em nome de uma personagem que se confunde comigo mas que também se confunde com todos aqueles que se reviam na atitude irónica e desafiadora com que este ilustre portista participava nos debates.

Nesta, como noutras mortes, mais ou menos próximas, mais ou menos dolorosas, a conclusão a que chego é sempre a mesma: a única forma de honrar aqueles que amamos, aqueles que admiramos, apreciamos ou simplesmente aqueles com quem partilhamos o gosto por um clube, é seguir em frente, aproveitar cada momento das nossas vidas para fazer aquilo que é nossa obrigação: viver.

Viver, neste caso, com a mesma ironia, com o mesmo desdém por aqueles que nos olham como se fossemos cidadãos menores. Viver fazendo a cada momento aquilo que acreditamos estar certo, usando o humor e a ironia em lugar de bolas de golfe ou pedras. A minha forma de prestar homenagem a este portista é continuar a escrever sob este pseudónimo. E mais do que uma homenagem, é uma obrigação. A obrigação de seguir vivendo.

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7 thoughts on “A obrigação de viver

  1. Pôncio,
    a melhor homenagem que poderás prestar a este guerreiro é continuar a ostentar orgulhosamente esse pseudónimo.
    Uma forma de relembrar sempre e agradecer a quem tanto nos defendeu.
    Embora com menos garra e chama nos últimos tempos, não deixou de ser um baluarte vivo do Portismo.
    Mas não esquecerei aquelas noites memoráveis no lamentável Donos da Bola. Um herói.

    Obrigado por tudo, Pôncio Monteiro.
    Continuarás vivo.

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  2. Partiu um grande Dragão que sempre defendeu acerrimamente o nosso clube e cidade do Porto.
    É uma grande perda para a família Portista.
    Era um homem do Norte, de fibra, antes quebrar que torcer.
    Ficará para sempre nos corações de todos os Portistas.
    Pêsames à sua família.
    Paz à sua alma, que ficará imortalizada nas páginas de história do nosso FC Porto.

    Abraço

    Paulo

    pronunciadodragao.blogspot.com

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