Que saudades do Hermínio e do Ricardo Costa…

A Bola publica e Portugal treme:

“O Benfica entende que o que aconteceu em Guimarães, no passado sábado, ultrapassou tudo o que seria tolerável e prepara-se para dar um grande murro na mesa, susceptível de abalar os alicerces do futebol nacional. “

Será dos 9 pontos de atraso? Foi o Benquerença que contratou o Roberto? Foi “o sistema” que marcou os golos que o SLB sofreu? Sim, em Guimarães o Benfica pode queixar-se de 1 penalty por marcar e de 2 foras-de-jogo discutíveis – mas quem é esta gente para falar de “verdade desportiva” depois de terem vencido o “título dos túneis”?

Hulkaminho para o título

O Dragão assistiu a um dos melhores jogos da sua ainda curta história. Ambiente espectacular nas bancadas, imprevisibilidade no resultado até ao final, entrega sobre-humana por parte dos jogadores, e grandes golos. Ganhámos porque fomos melhores (e desculpa, Domingos, mas foi o Braga quem marcou nos dois únicos remates que fez à baliza, não o FCP) e porque soubemos virar o resultado com alma de campeão. E também porque temos um fora-de-série chamado Hulk, o tal que foi afastado da competição no ano passado do modo que todos nós sabemos.

Esta foi também uma vitória de resposta à execrável edição de A Bola de ontem, que se aliou às declarações de Jesus, Rui Costa e Vieira, numa atitude consertada de toque a rebate de modo a tapar os olhos à evidência de que o clube do bairro do Alto dos Moínhos não está tão eficaz como no ano passado no que diz respeito a sacar penaltis e expulsões nos primeiros 10 minutos dos jogos.

O Bode Respiratório

A Federação Portuguesa de Futebol dispensou finalmente Carlos Queirós, decisão que define claramente um culpado para a situação desportiva em que a selecção se encontra actualmente. E digo “finalmente” porque a vontade de encontrar um “bode expiatório” para o suposto fracasso no Mundial era indisfarçável e só estava a ser travada pela dimensão da indeminização a que, em condições normais, o Professor teria direito.

Madaíl, uma vez mais, demonstrou a falta de lealdade, desonestidade e de ausência de sentido de justiça que o caracteriza, e a trupe que governa a FPF dede meados dos anos 80 continuará a mandar neste circo, com pequenas variações nos protagonistas e muita gente que actua na sombra há demasiado tempo.

Queirós cumpriu os mínimos no Mundial, perdeu tangencialmente com a equipa que se viria a sagrar campeã e a única coisa que se lhe pode apontar nesse derradeiro jogo é que foi maior o receio de perder por muitos do que a audácia de tentar vencer correndo obviamente muitos riscos. A falta de ambição foi o maior pecado do Professor.

Quanto às qualidades e defeitos que fizeram dele uma escolha mais ou menos consensual na altura em que o foram buscar ao banco do Manchester United, estão todas lá: falta-lhe carisma, nervo, liderança sobre as vedetas e arrojo nas decisões, quer nas escolhas dos jogadores, quer nas reacções em pleno jogo; por outro lado, é um estudiioso do jogo, um homem de trabalho, tem um discurso sem tibiezas e um percurso muito valioso, ainda que mal sucedido sempre que esteve em causa a sua relação com equipas formadas por jogadores com estatuto. Em suma, o perfil ideal para um Director Técnico ou para um Adjunto interventivo – a soma de qualidades e defeitos que fez dele uma opção bem melhor do que o Scolari sem fazer dele uma opção satisfatória para um país que tem tão bons jogadores e que nunca venceu uma competição de “gente crescida”.

Selecção a meio gás

Estes dois jogos de apuramento para o Europeu confirmaram que a ressaca do Mundial vai ser dura e complicada. Perdemos a referência do meio-campo, Deco, e não temos quem a substitua. Para além disso, falta nervo e aço ao nosso meio-campo, onde jogadores como Raul Meireles, Moutinho, Tiago ou Manuel Fernandes seriam apenas razoáveis suplentes numa selecção como a Espanha, só para citar um exemplo. Na frente, fazer uns números de circo não chega. É preciso ser letal.
É claro que tivemos muito azar no jogo contra Chipre. E que hoje o Eduardo deu a sua contribuição para o descalabro. E que faltam, por lesão, jogadores suficientes para dar outra qualidade ao onze. Tudo isto é verdade, mas temos de aceitar que vamos entrar, ou já entrámos, num período de renovação, com jogadores a entrar na casa dos trinta anos, e que esse período de renovação deveria ser tratado com um cuidado e estabilidade que, neste momento, não existem.

Selecção do Brasil, 1982

Um dos meus ídolos de infância assumiu a forma de toda uma selecção. Estávamos em 1982, no Mundial disputado em Espanha, e um conjunto de jogadores de azul e amarelo (ainda não tinha TV a cores, por isso era mesmo cinzento e branco) mostrava ao mundo como o futebol era (é) o desporto mais bonito que existe. Não precisaram de ganhar o Mundial para ficarem eternizados na nossa memória, e talvez tenha sido esse o seu maior mérito. Nunca uma selecção tratara tão bem a bola, nunca uma selecção marcara tantos golos bonitos. São alguns desses golos que podemos ver no vídeo que se segue. Sócrates, Falcão, Éder, Júnior, Zico, …