Uma laranja para Forlan

Aqui e ali encontramos exemplos de jogadores de nível mundial que nunca tiveram uma selecção nacional à sua altura. O exemplo mais gritante é o de Ryan Giggs. Se ontem havia um jogador que merecia uma final de um Mundial, esse jogador chama-se Forlan – penalti de Suarez à parte -, o principal responsável pela excelente prestação do Uruguai nesta competição. Aos 31 anos, joga como se tivesse 21, decide jogos, é uma ameaça constante para a baliza adversária. Nós, portistas, sabemos bem o perigo que daqueles pés vinha, nos jogos contra o Atlético de Madrid. Era ele que nos punha problemas, mais do que Aguero.
A Holanda merece esta final porque não precisa de ter um Forlan. Basta-lhe ter uma equipa coesa e talentosa, com um meio-campo e um ataque que se conhecem de olhos fechados, e de onde se destacam, evidentemente, Robben e Sneijder, curiosamente (ou não), dois jogadores que o Real Madrid não soube aproveitar. Quanto a Forlan, que bem lhe fazia ter uma Holanda.

Moutinho: segue-se o linchamento em praça pública

Já vimos isto acontecer no passado. Com o Futre. Com o Rui Águas. Para citar apenas dois exemplos. O “isto” é o enxovalhamento em público do jogador que troca um dos clubes de Lisboa pelo FC Porto. João Moutinho é o novo anti-Cristo. Sucedem-se as frases supostamente proferidas pelo jogador para provocar a ruptura com o Sporting. Sugerem-se comportamentos pouco éticos e nada profissionais. Leia-se, a título de exemplo, este magnífico pedaço de prosa em que só falta dizer que o João Moutinho gosta de comer criancinhas ao pequeno-almoço.
O Sporting, esse quer a todo o custo atenuar a revolução que os seus adeptos estarão a preparar, diabolizando, também ele, a figura do seu antigo capitão. A forma como o estão a fazer nada dignifica o clube nem os seus dirigentes, mas ele lá sabem.
O João Moutinho já estará a começar a perceber o que significa jogar pelo FC Porto e o tratamento que a comunicação social presta aos seus jogadores. Que isso o motive ainda mais para o sucesso.

João Moutinho, bem-vindo!

É fácil encontrar, no arquivo do Pobo do Norte, críticas ferozes ao João Moutinho. Por isso deixo para vocês esse trabalho. Difícil é encontrar elogios. Como agora precisamos tanto deles, aqui está um, feito pelo Poncio, em 2006: precisamente AQUI. Escusam de agradecer.
Escusam também de agradecer o exclusivo desta contratação que o Pobo do Norte vos trouxe na quarta-feira passada. É certo que a vinda do guarda-redes nigeriano não se confirma (se bem que chegou a ser noticiada em alguma imprensa…) e que o Raul Meireles anda a ser leiloado, podendo ser o Real, o Chelsea ou qualquer outro que não o Man United a levar-nos o nosso tattoo man. Mas a confirmação da vinda do João Moutinho compensa o resto.
Quanto à contratação em si, o João Moutinho tinha atingido o ponto de estagnação no Sporting. Agora, tem a oportunidade de evoluir como jogador e como homem (sim, como disse o André Pinto, aqui cai-se, mas para comer a relva!). Considero-o um óptimo jogador de equipa, acima da média para o futebol português. Espero que sofra do efeito-maniche e que nos traga grandes alegrias. Bem-vindo, João Moutinho!
PS – Tenho pena de ver partir aquele que eu considero o sucessor de Ricardo Carvalho, pelo estilo de jogo. Depositava grandes esperanças em Nuno André Coelho. Que seja feliz, que nunca ganhe ao FC Porto e que seja vendido por um balúrdio.

E se gostássemos da Alemanha?

Fui seduzido pela Alemanha e ela levou a melhor. Estou completamente rendido àquele futebol letal, rápido, talentoso. Dar quatro à Argentina, sem resposta, não é para qualquer um. Marcar golos em que só falta entrar com a bola pela baliza dentro, ainda por cima a uma equipa sul-americana, é a suprema humilhação. Obrigado, Mueller, Ozil, Shweinsteiger e companhia. Vocês são os meus favoritos.
PS – A Espanha vai ganhando com dificuldade. Mas com naturalidade e justiça. Quem tem Xavi, Iniesta e Villa merece ir muito longe.

Já não é preciso pagar bilhete para ver o Brasil no Mundial

O Brasil caiu aos pés da Holanda. Eu já tinha dito, após o jogo contra Portugal, que este Brasil era uma desilusão. Crujff concordou comigo. A Holanda tratou de fazer o resto. Este Brasil não trouxe ao Mundial aquele toque de magia e classe que lhe vimos no passado. Com vários jogadores em baixo de forma, a selecção canarinha mostrou pouca alegria em campo, pouca imaginação, e, a certa altura, foi beneficiada pela arbitragem. Hoje, a Holanda contou com a “ajuda” de Felipe Melo, um jogador profundamente atípico no contexto brasileiro. Já contra Portugal se fartou de distribuir lenha, ao ponto de Dunga o tirar de campo antes que acontecesse o que acabou por acontecer hoje. Será uma eliminação injusta para jogadores como Maicon, Luis Fabiano, Robinho e Kaká, talvez. Mas dos restantes, ninguém, vai sentir saudades.
PS – Todos queremos que o Paraguai chegue às meias-finais, não queremos?