O dia do Mariano

Depois de uma vitória feliz na Madeira, um jogo por inteiro no reino do Dragão, com garra, classe e resultados concretos. A equipa parou de jogar depois do 5-1, desleixou-se, perdeu a bola por via de excessos de confiança, mas quem poderia exigir mais, sobretudo depois do sinal do banco que foi retirar de campo 3 dos melhores da noite?

Não estive no estádio mas, para falar verdade, foi o primeiro jogo da época que lamentei não assistir “ao vivo”. Lembro que estava a escrever uma mensagem para o Guardabel, dizendo que aqueles 15 minutos eram a melhor coisa que o FCP tinha feito esta época, e quando a terminei o Rolando consumava o 1º golo. Melhor ainda foi a forma como a equipa se manteve estável depois daquele golo do empate caído do céu, obtido com o primeiro remate digno desse nome que o SCP fez na 1ª metade do jogo.
Curiosamente, eu acho que o Sporting não esteve muito mal – o que aconteceu é que o Porto esteve muito bem, marcou nas alturas em que precisava de marcar e soube manter a pressão. O sexto golo azul esteve sempre mais perto de acontecer do que o segundo dos verdes, mas depois de tanta correria e com o resultado feito, o Álvaro Pereira foi perdendo as energias, o Fucile deu o estouro, o meio campo já não tinha o Bellushi nem Michael e o Varela começou a enrolar-se com a bola.
Curiosamente, quem se manteve mais lúcido, mesmo depois daquele golo fenomenal, foi o mal-amado Mariano, a quem a braçadeira de capitão deu asas. Foi uma noite de futebol fantástica, com poucas asneiras arbitrais (faltou o 2º amarelo para o Grimi, no final da 1ª parte, bem como as advertências para o Moutinho e o Bellushi), 7 golos e um resultado justo.
No final, a pergunta dos jornalistas era onde teria estado “aquele Porto”. A isso, tanto Falcao (uma exibição muito acima de qualquer Cardozo deste mundo…) como Jesualdo responderam com o já conhecido discurso do “crescimento dos jogadores novos”. O nosso treinador mencionou até algo que é efectivamente um facto indesmentível: da equipa de habituais titulares do ano passado estavam em campo apenas 4 atletas: Fucile, Rolando, Fernando e Mariano. É verdade que assim aconteceu, mas o SLB também joga com muita gente nova esta época (Peixoto, Javi Garcia, Ramires, Saviola e Coentrão, já para não falar em tipos menos utilizados ou nos brasileiros recém-adquiridos) e engatou mais cedo. Claro está, para quem esteve supostamente a jogar bem melhor do que o Porto durante quase 6 meses, venceu-nos no seu estádio e contou sempre com arbitragens simpáticas quando foi preciso, a meia dúzia de pontos de vantagem de que usufrui presentemente é curta, não é?
Uma última referência aos últimos acontecimentos fora dos relvados: o SLB está a perder gás dentro do campo mas está cada vez melhor a operar fora dele – depois do afastamento do Hulk e do Sapunaru (vítimas da sua estupidez e de uma justiça dos túneis particularmente selectiva), o SLB conseguiu agora afastar o Vandinho e o Mossoró, o primeiro dos quais é um elemento vital do meio campo do Braga e só irá voltar a jogar a na última jornada. Mas para dar a ideia de que os jogadores do Benfica também são castigados, o Javi Garcia levou agora um oportuno sumaríssimo, que não aquece nem arrefece (coincidência: o seu backup brasileiro, Airton, já pode jogar…).

Reforços virtuais

Confesso que ainda não consigo dizer se estou contente ou triste com a abortada contratação do denominado “Gladiador”. Por um lado, acho que, de facto, se vamos ficar uns meses sem o Hulk é preciso contratar outro avançado com características diferentes do Falcao (e, já agora, do Farias, que, não obstante ser um óptimo suplente, está para o Falcao, com os caracóis estão para as gazelas…). Por outro, a fama de arruaceiro que este Kleber tem e o elevado preço a pagar (por um jogador com 26 anos) são duas coisas que me motivaram reservas.Como já alguém sugeriu, por exemplo, o Nené (ex-Nacional) não era uma aposta mais segura e mais barata?

Seja como for, o FCP não saiu muito bem desta história, mesmo que tenha sido o jogador a exigir coisas inaceitáveis. Então nada disto foi discutido previamente? O tipo viajou para Portugal só para tentar dar “o golpe do baú”? Mau mesmo é o tempo que se perdeu a negociar este Kleber quando o prazo se esgota esta noite e parece não existir espaço para fechar negócio com outro jogador. Porque o PdC não pode vir agora dizer que, afinal, não precisamos de ninguém, que o plantel está fechado – nesse caso, porque é que o FCP ia investir tanto neste “Gladiador”?
Falando de coisas boas: tivemos sorte na Madeira e depois não facilitamos, mas a melhor notícia é a confirmação de que o Ruben Michael vem mesmo acrescentar algo ao meio-campo do Porto. A verdade é que ele está em 3 dos 4 golos do Porto e o passe que isola o Varela no 0-4 é uma pequena amostra do que este madeirense vale.