Qualidade

Segundo a imprensa, Rúben Michael está (finalmente, digo eu) a caminho do Dragão. Será tarde demais? Será o suficiente para dar “cola” ao futebol daquele meio-campo sem alma? Uma coisa é certa, Bellushi deve ter tido contra o Paços a sua última oportunidade de se afirmar como “playmaker”. E Tomás Costa, um daqueles em que contra todas as vozes eu acreditei, também não me parece que mereça um lugar no 11 inicial.

O jogo de ontem foi o espelho de como é possível perder (mais) 2 pontos num jogo aparentemente fácil. Como? Não apertando com o adversário desde o início, deixando para o fim a pressão sufocante com a qual o jogo deveria ter sido iniciado. Claro está, o Porto não venceu por aselhice própria (a cabeçada do Falcao ao lado, ainda da 1ª parte, é daquelas que não dá para falhar), por sorte alheia (o guarda-redes do Paços fez 2 ou 3 defesas fantásticas) e, para não variar, por influência directa da arbitragem, que inventou um fora-de-jogo ridículo. Mas o FCP já venceu campeonatos em circunstâncias mais adversas: onde está a razão de tanta intranquilidade?

A verdade é que falta qualidade, daquela que decide jogos. Temos montes de jogadores “acima da média”, esforçados e, aqui e ali, com momentos de inspiração (Álvaro Pereira, Fernando, Varela, Rodriguez, Fucile e, num patamar abaixo, Guarin, Tomas Costa, Mariano, Sapunaru e muitos outros). Mas não é este o tipo de jogador que faz a diferença quando as coisas estão “pretas”, quando o adversário parece ter toda a sorte do mundo pelo seu lado, quando o Sr. de preto inclina o campo em nosso desfavor. Estes são “apenas” os que preenchem os espaços. E jogadores dos outros, daqueles que decidem jogos não por mero acaso mas com frequência, o Porto tem poucos e nem todos se têm exibido ao nível que é suposto apresentarem: Bruno Alves, Meireles, Falcao e Hulk. Convenhamos que é pouco para tanta ambição.

Em suma: a velha política de comprar relativamente barato e em quantidade, aguardando que na molhada venha um Lisandro em potência, foi dando para o consumo interno enquanto os nossos adversários não deram o salto em frente, isto é, enquanto não investiram pela certa (independentemente da maneira misteriosa como o dinheiro surgiu, de repente, para tantas aquisições milionárias). O Porto tem quase tantos pontos como tinha no momento equivalente da época passada – o problema é que, com grande probabilidade, vai hoje ficar a 6 pontos da liderança. Sem cair na vertigem popularucha de achar que a nossa equipa vai melhorar se o PC desatar a comprar mais um saco cheio de argentinos desconhecidos, acredito que vale a pena investir no Ruben, recuperar o Pedro Mendes e também o Evaldo (que já fez parte da equipa B). Já agora, porque não dar uma oportunidade imediata ao Ukra?

Acreditar ou não acreditar: eis a questão

No dia seguinte a o sítio oficial do FC Porto ter revelado que o jornalismo de A Bola é bonzinho para o SLB (por falar em Bonzinho, lembram-se disto?), foi a vez de constatarmos que os árbitros insistem em serem mauzinhos para nós, impedindo-nos de, por exemplo, marcar golos.

Ontem, mais uma fez, cortaram as asas ao Falcao num fora-de-jogo muito mal tirado e que daria, por certo, uma história muito diferente àquele jogo. Ainda assim, o colombiano foi capaz de voar para o golo do empate e mostrar, mais uma vez, que golos difíceis é com ele. Bolas fáceis, não dá pica.

Independentemente do erro decisivo da arbitragem, o FC Porto não jogou grande coisa. A segunda parte, então, foi confrangedora, sabendo-se que precisávamos de ganhar. Foi preciso um golo do Paços para nos atirarmos definitivamente para cima deles. Aliás, situação já vista noutros jogos. Parece que precisamos de um golo do adversário para começarmos a jogar. O segredo, digo eu, é deixá-los marcar cedo no jogo, para nos dar tempo de recuperar.

Este empate, se os nossos directos adversários ganharem, tornará muito difícil o penta. Seis pontos para duas equipas é muita coisa ainda para mais sabendo que, a jogar assim, vamos de certeza perder mais pontos. E na segunda volta não devíamos perder nenhum.

A notícia da contratação de Rúben Micael – obrigado, Sr. Presidente – tem o timing perfeito do ponto de vista da SAD, mas não faz esquecer o momento mau que atravessamos. Ainda assim, espero que o médio criativo do Nacional venha fazer aquilo que Lucho não pôde em Janeiro de 2005 quando o FC Porto não conseguiu trazê-lo no mercado de Inverno: lançar-nos na direcção do pentacampeonato. Eu acredito!

Até queima!

Jornalista e empresário?

O Labaredas tem optado por ignorar a corja que se alimenta de veneno e histerismo antecipado, mas chega-se a um ponto em que até a paciência de Dragão tem limites… Este «fogacho» é simples: que moral ou sentido crítico tem um jornalista-empresário de jogadores? Não tem nenhuma. Só mesmo a falta de decoro (e A Bola…) lhe permite emitir opiniões.

«Esta semana, pareceu-me ouvir alguém pedir que se faça “um apito encarnado”. Desconheço se é preciso. Mas é preciso ter lata.»

João Bonzinho, A Bola, 15 de Janeiro de 2010

«Fui confrontado com a hipótese de rumar ao Benfica por duas figuras do jornalismo nacional, e em especial da Imprensa desportiva: Leonor Pinhão, assumida benfiquista do jornal A Bola, e João Bonzinho, que também pertence ao mesmo jornal e que nunca fez questão de negar as suas cores clubistas. Foi-me dito que ambos tinham ligações próximas com a direcção do Benfica» (…) «Assinei contrato pelo Benfica, no Bairro Alto, na casa de Leonor Pinhão e do seu marido, o realizador João Botelho. Para além dos dois, estavam lá João Bonzinho, Jorge de Brito, como representante do Benfica, e o meu jovem advogado»

Fernando Mendes, Jogo Sujo

http://www.fcporto.pt/Clube/Labaredas/noticialabaredas_labaredas_150110_49373.asp

O fácil tornado difícil (ou "o filme da época")

Os guarda-redes estão lá para evitar golos, os defesas para defender e os avançados para marcar. Foi assim ontem no Dragão à excepção da parte dos defesas. Helton defendeu o penalti de Ronny e Falcao bisou. Os defesas deviam e podiam ter feito mais. Aquilo que poderia ter sido um passeio descansado, tornou-se num thriller de consequências imprevisíveis. Até que um super-herói salvou a nação azul-e-branca e fomos todos contentes para casa.

A perseguição a Helton já enjoa. Leio por essa blogosfera fora que o guarda-redes brasileiro podia ter feito mais no lance do primeiro golo do União. Há quem escreva que Helton se redimiu desse lance com a defesa no penalti. Eu gostava de saber o que é que um guarda-redes pode fazer quando a bola sofre um desvio a curta distância, estando ele já preparado para a encaixar nas mãos. Não há reflexos que salvem um guarda-redes naquela situação. Alguém afirma que ele devia ter saído da baliza na marcação do lance e ter-se antecipado ao Diego Gaúcho. E os defesas? Onde estavam eles ao permitir um cabeceamento à vontade no limite da pequena área?

Se do ponto de vista ofensivo a exibição da equipa me agradou, com dinâmica e vontade de vencer, lá atrás não fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. E mais, colocámos em causa toda a estratégia de uma equipa com um erro individual infantil, como foi no caso da falta e consequente expulsão de Fernando. Jesualdo pode ter culpas em muita coisa, mas será que lhe podemos assacar responsabilidades nestes lances?

Roubalheira Nacional

Daqui a muitos anos ainda se discutirá o golo que Olegário Benquerença não deu ao Benfica naquele célebre jogo com o FC Porto, mas arbitragens como a que hoje se viu no Estádio da Luz serão esquecidas. Tudo isto com a preciosa colaboração da comunicação social do costume.

Um golo mal invalidado a Rodrigo, um penalti assombroso de David Luiz (que raio de imunidade tem este jogador?) e expulsões perdoadas a Luisão (agressão) e a Maxi Pereira (entradas para vários amarelos) fazem a história de um jogo em que se confirmou a ideia de que a derrota do tetracampeão naquele estádio, antes do Natal, foi muito mais demérito seu do que mérito do terceiro classificado da época passada.

Uma sugestão à Liga: fazer desta taça uma espécie de Taça de Lisboa com um Sporting-Benfica todos os anos para atribuir o caneco.