Onze contra onze

Este post destina-se a lembrar os jogadores do FC Porto, que lêem este blogue, que, logo, nada está ganho à partida. São onze contra onze e a bola é redonda. O Barcelona que o diga.

Sérgio Oliveira

Hoje valeu a pena ir ao Dragão para ver Sérgio Oliveira (17 anos) jogar pela primeira vez na equipa principal do FC Porto. Nunca será uma estrela como este, ou este, ou ainda este, ou porque não estes, mas, pelo que se viu hoje, Sérgio Oliveira poderá vir a ser muito grande num futuro FCP. Assim tenha sorte e cabecinha. Da primeira, jamais saberemos o que lhe destina. Quanto à segunda, a avaliar por este vídeo, parece que temos homem.

Blue pencil

Que mal fizemos nós para que uma entrevista de Hilário ao sítio do Chelsea seja publicada no Maisfutebol sem a parte dos elogios ao FC Porto? Eu sei que mal fizemos nós. Todos os portistas sabem.

O texto ignorado pelo Maisfutebol é o seguinte:

‘Every single season they go at least to the second stage and they often do more,’ confirms their former player. ‘They have good structures in the club, and they believe in themselves.

‘That is because of the past achievements and it is also because of the people that are still there from my time, from a long time ago. Those people believe in themselves and they give confidence to the players.

‘You see examples of players that don’t work so well in the other teams but when they get the chance to play in Porto, they do absolutely fantastic.

‘The atmosphere, the feelings, the belief there is good and when a player has quality and has this feeling, this confidence around him, it makes him a better player.’

A montra do mundial

O nosso possível apuramento para o mundial pode colocar três jogadores do FC Porto na África do Sul: Beto, Bruno Alves e Raul Meireles. E com legítimas aspirações, temos ainda Rolando e Varela. Podem ser cinco os portugueses portistas no mundial. Em termos absolutos e englobando jogadores de outras nacionalidades, este número pode ir até aos onze jogadores.
No Uruguai, Álvaro Pereira, Fucile e Rodriguez disputarão o play-off de acesso. Na Argentina, Bollati (jogador que pertence aos quadros do FCP) é um convocado indiscutível e até marcou o golo salvador no Uruguai. Depois, temos Bellushi, um jogador internacional que, dependendo da sua prestação e da do FCP nesta época, poderá ter aspirações. No Brasil, Helton voltou a ser convocado.
Obviamente que algumas destas hipóteses não passam disso mesmo, mas quando vejo um jornal desportivo, neste caso A Bola, a escrever no título de um artigo “Encarnados em peso na montra do mundial” e depois, no desenbvolvimento do mesmo, a incluir como hipóteses nomes como Javi Garcia ou Fábio Coentrão, acho que tenho o mesmo direito de fazer algumas projecções idênticas em relação ao FC Porto. E só não falo em Hulk porque não é tradição a selecção brasileira convocar jogadores “feitos” no estrangeiro. Para além disso, o Incrível nunca foi internacional e ainda nada fez de relevante a nível de competições internacionais. Tenho, no entanto, a certeza que, se Hulk fosse jogador do terceiro classificado da época passada, haveria já uma campanha propagandística, com várias ramificações, no sentido de sugerir a sua convocação pelo Brasil.
Mas, voltando à vaca fria, que é, neste caso, o artigo de A Bola, diz o jornalista António Barroso:
“Cardozo, Ramires e Luisão estão apurados para o Mundial-2010. Di María, Aimar ou Maxi podem carimbar esta quarta-feira o ‘passaporte’ para a África do Sul. Ao todo, oito águias aspiram, à partida, a estar no Mundial-2010, mas o número pode subir.”
Quanto aos três primeiros, nada tenho a declarar, sendo que apenas continuo a expressar a minha admiração pelo facto de o Brasil não conseguir arranjar um central melhor do que Luisão. Quanto aos três seguintes, a presença de Maxi Pereira depende do tal play-off, e a de Di María será natural. Em relação a Aimar, já coloco as minhas dúvidas, mas admito que Maradona ainda ande a snifar umas coisas esquisitas.
Em seguida, o escriba fala da possibilidade de os jogadores se valorizarem numa montra como a do Mundial, etc… conversa para encher chouriços, pois claro. Depois, escreve isto:
“E, no caso do Benfica, o assédio aos craques da Luz promete aumentar em catadupa, tantas são as possibilidades que se abrem para que a águia tenha uma comitiva de peso naquela que é um dos maiores espectáculos do Mundo e a montra, por excelência, para os executantes futebolísticos.”
“Assédio aos craques da Luz (…) em catadupa” é uma expressão muito querida pelos jornalistas de A Bola, principalmente aqueles que têm como função tentar vender o máximo de jogadores do Benfica, em cada época, por valores elevados. Ainda que, ano após ano, falhem qualquer desses objectivos (1. vender 2. por valores elevados), agora que se aproxima o Mundial, a equipa marca muitos golos no campeonato e Jesus ainda diz frases curtas e com algum nexo nas conferências de imprensa, eles voltam à carga. E este artigo aponta para isso mesmo. Veja-se este excerto:
“Mas a boa forma de David Luiz e as indicações que Luisão e Ramires podem transmitir ao seleccionador sobre a forma do jovem defesa-central, este ano em evidência, leva a que, num contexto em que Juan, Lúcio e Alex Silva (irmão de Luisão) se encontram lesionados, até David Luiz, a continuar a evolução galopante evidenciada na oficina da Luz, possa ambicionar chegar ao ‘escrete’.”
Tudo é possível. Repare-se: David Luiz pode ambicionar ao escrete se:
1. Luisão e Ramires falarem a Dunga da sua boa forma (“evolução galopante evidenciada na oficina da Luz” é uma expressão brilhantemente criativa, tenho de reconhecer)
2. Juan, Lúcio e Alex Silva se lesionarem. (E nem é referido o Thiago Silva do AC Milan)
Assim, está aberta a possibilidade para, por exemplo, Hulk entrar no escrete se:
1. Helton falar com Dunga
2. Robinho, Luis Fabiano, Ronaldinho, Kaká, Nilmar se lesionarem
Ou ainda a de Mariano González ir ao Mundial se:
1. Bollati falar com Maradona
2. Messi, Di María, Higuaín ou Gutierrez, por exemplo, se lesionarem
É simples!
O texto de A Bola não se limita a um registo informativo-graxista e propagandista. A partir de certa altura entra mesmo no domínio do cómico. Leia-se este pedaço:
“A confirmação da consistência de Javi Garcia como muralha intransponível na intermediária, e de Fábio Coentrão como um extremo rápido, tecnicamente dotado e em franca explosão esta época, podem levar, ainda a que, quer Vicente Del Bosque, quer Carlos Queiroz, técnicos nacionais de um e outro país, respectivamente, ponderem sobre a possível surpresa que será a inclusão destas duas afirmações do Benfica 2009/10, que voa alto nos céus sob a orientação de Jorge Jesus.”
Deixando de lado os previsíveis recursos estilísticos (“muralha intransponível”, “em franca explosão”, “que voa alto nos céus”), sobre os quais não tenho aqui tempo para me pronunciar, detenho-me sobre os jogadores. A Espanha deve mesmo estar precisadinha de um Javi Garcia. Xabi Alonsos, Xavis e Iniestas da selecção de nuestros hermanos, tomai cuidado! Há uma muralha intransponível a jogar em Portugal e que pode ser uma surpresa no mundial! Basta que Del Bosque se aconselhe com Maradona, está claro. Até nem sei como foram capazes de deixar sair Javi Garcia para um campeonato tão pouco competitivo como este. Quanto a Fábio Coentrão, realmente na imaginação de A Bola tudo é possível. Ainda me admira deixarem de fora o Miguel Vítor ou o Carlos Martins. Se o Fábio Coentrão merece ir ao Mundial, que dizer de um Varela, então?
O texto termina, referindo-se às convocatórias de Di Maria e Aimar. Já agora, foi uma pena que nenhum dos dois tenha decidido o apuramento da Argentina, ontem, em Montevideo (O primeiro foi substituído a meio da segunda parte e o segundo nem saiu do banco), e ironia das ironias, esse apuramento tenha sido decidido por Bollati, um jogador com contrato com o FC Porto (no site deste órgão oficioso do clube de bairro do Alto dos Moinhos diz-se “ex-jogador do FC Porto”, quando seria mais correcto dizer “jogador emprestado pelo FC Porto ao…”, mas, enfim, já sabemos do que a casa gasta…).
A prosa ainda refere o facto de Nuno Gomes e César Peixoto terem sido convocados para o jogo com Malta e adianta-se que Quim pode perfeitamente voltar à selecção uma vez que “já lá esteve” e é “titular da águia”. Um amigo meu sportinguista diz que também Rui Patrício já lá esteve e é titular do leão, por exemplo.
O texto termina com um fantástico “Haja fôlego, que as jóias da coroa encarnadas prometem ser em quantidade na vitrina de luxo que é o Mundial.” Eu já estou a pensar comprar botijas de oxigénio e bombas iguais às das pessoas que sofrem de asma para quando começar o Mundial. Podia-se criar uma espécie de efeito-pandemia, igual ao da gripe A. Acho que muita gente ia ganhar dinheiro com isso.

A imprensa desportiva é do mais cómico que há

Continuo a divertir-me com as manchetes sobre o terceiro classificado da época passada com que os jornais deportivos sulistas vão amealhando receitas extraordinárias (neste início de época, porque lá para o final, a coisa volta a ficar preta).
Há dias era A Bola, lembrando que o Benfica tem o melhor ataque no mundo, isto, contando com os penaltis e faltas artisticamente sacadas por Saviola, Aimar e companhia. Hoje, na falta de melhor, descobrem que o clube do bairro do Alto dos Moinhos é milionário porque tem sete jogadores no top-10 das cláusulas de rescisão em Portugal. A diferença é que, enquanto outros vão efectivamente vendendo a bom preço os seus craques, estes conseguem mantê-los, sendo que este conseguem deve ser entendido por ninguém pega neles por aqueles valores.
O Record também contribui para a minha boa disposição diária. A manchete de hoje diz “Maradona aposta no Benfica“, para ver se leva a Argentina ao campeonato do mundo. É a solução óbvia, porque, como todos sabemos, o Benfica, pela experiência acumulada nos últimos anos, é uma inspiração para quem pretende jogar grandes competições internacionais. Segundo este pasquim, “Di Maria e Aimar são fundamentais para a Argentina“. Não fosse a alvi-celeste estar em sérios riscos de não ir ao mundial, Maradona ter a cabeça no cepo, e, em desespero, tentar sacar coelhos da cartola, eu até era capaz de conseguir fazer um ar sério ao ler esta manchete.